O apoio dos partidos do chamado blocão (ou centrão) ao pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, é importante por dar ao tucano instrumentos importantes para a campanha eleitoral, mas embute riscos de imagem à candidatura do ex-governador paulista e está longe de colocá-lo em situação confortável para vencer a eleição de outubro, observou Eduardo Simões, da Reuters.
E, mesmo que o tucano e seus aliados mais próximos consigam transformar a vantagem de infraestrutura advinda com o apoio do grupo de legendas em vitória eleitoral, Alckmin ainda corre o risco de, se for instalado no Palácio do Planalto, ver sua agenda legislativa refém de uma base formada por siglas conhecidas por sua voracidade por cargos, recursos e fatias do poder.
Para o cientista político e articulista do Misto Brasília, André César Pereira, o affair Alckmin-Centrão, apesar de bem encaminhado, ainda depende de muitos ajustes nos estados. “Por conta do acordo com o centrão, foi preciso rifar o então comandante da candidatura tucana, Marconi Perillo. Isso terá alguma consequência interna?”, pergunta.
“Esses partidos trazem eleitores, votos, para o Alckmin? Eles não trazem votos. Não é uma coisa automática”, disse à Reuters o cientista político do Insper Carlos Melo.
“Ele está adquirindo instrumentos de campanha eleitoral: tempo de televisão e capilaridade. Isso vai se transformar em voto? Essa é a primeira pergunta que se tem que fazer”, acrescentou.
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