Da mesma forma que nas festas e quadrilhas dos meses de junho e julho têm relevo os comandos que dirigem as evoluções dos dançarinos, a visão do movimento político nas últimas horas traz à mente as ordens balancez e changez de place, quando se vê a pouca firmeza dos panoramas até há pouco desenhados, bem como a alegre mudança de posições, desvinculadas de qualquer responsabilidade expressa.
Com efeito, até há poucos dias o chamado centrão se apresentava com viés de Ciro e os cargos de Vice-Presidente em cada uma das chapas pareciam definidos.
Com a reviravolta, acode-me a letra da popular composição Piston da Gafieira, que descreve:
“Na gafieira segue o baile calmamente
Com muita gente dando volta no salão
Tudo vai bem, mais eis porém que de repente
Um pé subiu e alguém de cara foi ao chão
Não é que o Doca é um crioulo comportado
Ficou tarado quando viu a Dagmar
Toda soltinha dentro de um vestido saco
Tendo ao lado um cara fraco, foi tirá-la pra dançar
O moço era faixa preta simplesmente
E fez o Doca rebolar sem bambolê
A porta fecha enquanto dura o vai não vai
Quem está fora não entra
Quem está dentro não sai
Mas a orquestra sempre toma providência
Tocando alto pra polícia não manjar
E nessa altura como parte da rotina
O piston tira a surdina
E põe as coisas no lugar”
De fato causa estranheza a rapidez com que o centrão deixou Ciro, bem como a maneira brusca pela qual pretensos vices tiveram a aspiração vetada por seus próprios partidos, impondo uma reformulação nas chapas presidenciais.
A motivação dos que se beneficiaram é clara, tempo de televisão, que é o único tipo de programa até agora apontado pelos que disputam a chefia da Nação.
Mas e a motivação dos outros, já que elevado é o valor de alguns segundos a mais na TV? Uma coisa é certa, seguramente já se acertou a compensação, o que introduz no pleito os vícios que ele deveria expurgar.
No caso dos vice-presidentes, claro é que uma força significativa decidiu dificultar a vida dos candidatos imprevisíveis, preferindo ajudar candidaturas de quem se sabe o que esperar.
Para um movimento dessa envergadura é necessário o respaldo da única força capaz de influenciar o Estado e a sucessão, o mercado.
Há muito tempo o mundo político e os governos não passam de fachada, constituindo-se em tigres de papel, por trás dos quais, manipulando as marionetes, está o poder econômico.
As forças políticas não se moveram sozinhas. E ainda que não se possa apontar a razão específica, pode-se excluir uma – não foi pelo desejo de renovação que anima o eleitorado e o País.























