No primeiro debate do segundo turno entre os candidatos a governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB) levou vantagem sobre o seu oponente, o advogado Ibaneis Rocha (MDB). No início do encontro promovido pelo Correio Braziliense e pela TV Brasília (o Misto Brasília transmitiu ao vivo – confira ao lado), o governador começou nervoso, mas ao longo dos blocos conseguiu se tranquilizar e desfiar números de sua administração.
Ibaneis Rocha seguiu o script de um advogado experiente ao longo do debate, mas chegou a levantar a voz quando confrontado com acusações feitas por Rollemberg. Por diversas vezes elogiou a administração atual e mostrou desconhecimento sobre a política de mobilidade urbana.
Disse que andava de bicicleta e que não via interligação das ciclovias. Afirmou que os ciclistas tinham dificuldade em usar os veículos, porque não tinha lugar seguro para deixar as bicicletas. O governador afirmou que serão implantados três mil “bicicletários” e que o projeto já está em andamento. Na réplica, Ibaneis elogiou o programa e disse que iria concluir e, quando iria inaugurar, faria um convite para Rollemberg participar.
Rollemberg acusou Ibaneis de ser um “grileiro vertical”, isca que o concorrente acabou aceitando. Ibaneis afirmou que seus prédios estavam sendo regularizados, uma confissão de que foram erguidos sem autorização. Antes já tinha dito que queria “uma Agefis do bem”. Esqueceu de lembrar que se comprometeu no acordo com Rogério Rosso (PSD) que iria extinguir a agência de fiscalização caso tenha sucesso no próximo dia 28 de outubro.
Ibaneis – provocado por Rollemberg sobre seus apoios (pessoas denunciadas e processadas por corrupção) -, garantiu que “ninguém que esteja respondendo a processos ou esteja condenado por corrupção “será nomeado no meu governo”. Ameaçou mostrar fotos de Rollemberg com alguns dos citados pelo governador e disse que “nem por isso o governador é corrupto”.
Rollemberg insistiu nos ataques ao adversário e por três vezes afirmou que Ibaneis é um “topa tudo por dinheiro”, numa referência às brincadeiras dominicais de Silvio Santos (SBT) em seus programas de auditórios. O governador afirmou que o concorrente recebeu dinheiro como honorários de prefeituras pobres, que pagaram seus serviços com recursos do Fundef. Os precatórios devidos pela União eram pagos até ontem com dinheiro destinados à educação. Essa prática está probida pelo Suprior Tribunal de Justiça (STJ).
Ibaneis disse que o acidente provocado por uma operadora de telefone na rodoviária do Plano Piloto ontem à tarde, foi responsabilidade do governo distrital. Em resposta irônica, Rollemberg observou que “quem sabe a Vivo não vá contratá-lo como advogado”.
Em outro confronto, desta vez sobre o Centro Administrativo (Centrad) que está fechado, Ibaneis disse que iria “sentar” com todas as partes envolvidas e, “se for o caso”, baixar o preço do terreno e pagar para que o espaço seja, definitivamente, ocupado. O governador disse que “tudo isso que você está falando já fizemos” e explicou que a questão envolve uma dívida do terreno pela construtora. A “pendenga”, segundo Rollemberg, representa um custo adicional ao governo de R$ 190 milhões.
Nas considerações finais, Ibaneis voltou a falar da filha advogada de Rollemberg que também teria recebido dinheiro de prefeituras com os precatórios do Fundef (rebatizado de Fundeb). Prometeu “voltar às ruas” após tomar posse. E pediu voto dos eleitores, pedido repetido por Rollemberg: “Tenho certeza que com a casa arrumada e as mãos limpas dá para fazer muita coisa”.


















