Sem protagonismo, ONU busca secretário-geral e corte de gastos

Michele Bachelet Chile ex-presidente Misto Brasil
Michele Bachelet é candidata ao cargo de secretária-geral da ONU com apoio do Brasil/Arquivo/Divulgação
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Neste momento, são oito os candidatos, sendo cinco mulheres, entre elas, a ex-presidente do Chile, Michele Bachelet, apoiada pelo Brasil.

Por Marcelo Rech – DF

A Organização das Nações Unidas (ONU), fundada em 24 de outubro de 1945, está em pleno processo de eleição para a escolha do (a) futuro (a) Secretário (a)-Geral que substituirá o português Antonio Guterres, no posto desde janeiro de 2017.

Ao final do seu mandato, Guterres somará 21 anos no Sistema ONU, uma vez que, entre 2005 e 2015, atuou como Alto Comissário para os Refugiados (ACNUR). É uma pena que, somente agora, tenha percebido que as Nações Unidas não apitam nada.

Neste momento, são oito os candidatos, sendo cinco mulheres, entre elas, a ex-presidente do Chile, Michele Bachelet, apoiada pelo Brasil. Na sexta (21), o Conselho de Segurança da organização, realizou mais uma rodada de consultas.

Três nomes despontam e devem ser analisados no final de setembro, quando os cinco membros permanentes – EUA, Rússia, China, Reino Unido e França – elegerão o Secretário-Geral para o período de 1º de janeiro de 2027 a 31 de dezembro de 2031.

No páreo, Carolyn Rodrigues-Birkett (Guiana), Rafael Grossi (Argentina) e Rebeca Grynspan (Costa Rica). Dos três, Grossi, atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, é o único que tem mantido a média de 7 votos. São necessários 9 votos e nenhum veto, para ganhar o pleito.

O fato é que a ONU atravessa o seu pior momento em 81 anos de história, sem qualquer protagonismo e capacidade de intervenção global, seja para evitar conflitos, impor a paz ou promover a sua manutenção.

Inchada e custando cerca de US$ 4 bilhões por ano, as Nações Unidas correm sério risco de cair na irrelevância completa.

Talvez, por isso, o atual Secretário-Geral, tenha decidido cortar gastos. Para garantir um mínimo de eficiência, ele prevê um corte de 15% no Orçamento da organização, o que implicará, entre outras coisas, na demissão de muita gente. No entanto, é difícil acreditar que esta reforma, se levada a cabo, resgate o papel da ONU como garantidor mundial da paz.

A ONU tem cerca de 14 mil funcionários e o plano de Guterres não atinge as agências humanitárias que possuem orçamento próprio. Os cortes mais profundos deverão atingir os funcionários dos níveis inferiores.

De acordo com um rascunho submetido ao chefe das Nações Unidas, apenas dois dos 58 cargos de chefia, no nível de subsecretários-gerais, serão eliminados.

Do ponto de vista bem objetivo, a iniciativa de Antonio Guterres chega muito tarde. Trata-se de algo que já deveria ter sido feito há anos, assim como a reforma do próprio Conselho de Segurança que não guarda mais nenhuma relação com a ordem internacional.

Reduzir a burocracia da ONU é uma necessidade urgente, mas deve vir acompanhada de uma modernização estrutural e doutrinária que faça jus à sua própria existência. Do contrário, o sistema internacional baseado em regras continuará sendo apenas um papel que qualquer um pode rasgar.

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