Parte essencial no plano do governo Bolsonaro para zerar o déficit fiscal já em 2019 é a implementação de reformas estruturais, em especial a aprovação de uma profunda reforma da Previdência. A afirmação foi feita pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, em Davos, na Suíça, durante entrevista à Bloomberg TV.
“Mais da metade do déficit fiscal será resolvido com a reforma da Previdência, esta é a prioridade número um”, declarou Guedes. O ministro explicou que o país tem menos de 11% da população recebendo aposentadoria, mas o sistema “já está quebrado”. “Precisamos consertar o antigo sistema e introduzir um novo sistema, fazendo a transição para o modelo de capitalização”, explicou.
A proposta de reforma da Previdência que está sendo estruturada pelo governo pode render uma economia de R$ 700 bilhões a R$ 1,3 trilhão em dez anos, podendo chegar a dois terços a mais do que o esforço do governo anterior, que falhou.
Como medida complementar para zerar o déficit, o ministro disse que, com um corte moderado de 10% dos subsídios estatais, estimados na faixa de US$ 100 bilhões pelo ministro. “Se cortar 10% desse número, já temos mais US$ 10 bilhões”, comentou.
Sobre o Imposto de Renda cobrado das empresas, Guedes disse à Reuters que o governo analisa reduzir a alíquota de 34% 15%. Esse corte “brutal” seria compensado pela taxação de dividendos, hoje isentos, pontuou Guedes. Segundo ele, essa mudança aumentará a competitividade.
Guedes disse ainda que o governo pretende reduzir a carga tributária do Brasil para 30% do Produto Interno Bruto (PIB), de 36% atualmente. O ministro sinalizou também que o governo considera extinguir 50 estatais num prazo de 3 a 5 meses.
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