Hoje não falarei de política. O assunto é outro.
O Brasil e a América não existiam. O ano de 1163 parece distante, mas é o marco inicial da Catedral de Notre-Dame. E não devemos nos ater aos clichês. “Catedral que resistiu a duas guerras mundiais”, “suportou a Revolução Francesa”, “inspiradora de Victor Hugo”…
Por falar no romancista francês, ao escrever o clássico “Notre-Dame de Paris” (ou “O Corcunda de Notre-Dame”), mais do que apresentar ao mundo o carismático Quasímodo, ele operou para salvar a Catedral, que corria o risco de ser demolida. O sucesso da obra mudou os planos das autoridades parisienses.
Sobre a Notre-Dame, particularmente não me atraía tanto. Em Paris, prefiro o Pére Lachaise e seus ilustres mortos, e a Sacre Coeur, com a vista mais maravilhosa da cidade. Por sinal, imperdível o vídeo “C’était un rendez-vous“, de Claude Lelouch, com uma Ferrari voando em direção a Montmartre. Se você não assistiu, vá ao YouTube.
Voltando a Notre-Dame, é mais que compreensível a comoção mundial gerada em torno da tragédia. A Catedral é simbólica para os católicos e o incêndio na Semana Santa traz ainda mais simbolismo para os cristãos. Sem contar que representa o marco zero da cidade.
Em particular, eu gosto do entorno da Notre Dame. A Ille de la Cité, os cafés, e em especial minha livraria preferida, a Shakespeare and Company. Um ambiente adorável, repleto de turistas e de cidadãos parisienses em perpétua confraternização.
Triste é ver esse monumento praticamente destruído. Assim como o Brasil tem o desafio de recolocar de pé o Museu Nacional, os franceses precisam refazer das cinzas a Notre-Dame. Mãos à obra.
(Nota da redação – o Misto Brasília transmitiu ontem ao vivo o incêndio na catedral)
























