A safra de más notícias para o governo não se esgota. No âmbito da opinião pública, uma nova pesquisa mostra o presidente Bolsonaro, pela primeira vez, com avaliação negativa acima da positiva.
De acordo com o levantamento do Atlas Político, realizado entre 19 e 21 de maio, 28% consideram a atual gestão “boa ou ótima”, enquanto 36% a avaliam como “ruim ou péssima”. Números que incomodam ainda mais um governo já pressionado.
Importante ressaltar aqui que o trabalho de campo da pesquisa ocorreu após as manifestações contra os cortes na educação, que tiveram grande repercussão na mídia. Além disso, a falta de articulação política do governo é percebida por boa parte da população, e isso certamente impactou nos resultados apresentados.
Ciente dessa realidade, o Planalto tenta reagir. Uma das medidas é a convocação de manifestações em defesa do governo, previstas para o próximo domingo, 26 de maio. Trata-se de jogada de alto risco, porém – caso poucas pessoas saiam às ruas, ficará evidente que Bolsonaro está enfraquecido.
Também salta à mente o exemplo do ex-presidente Collor. No auge da crise de seu governo, ele pediu que os brasileiros saíssem de verde e amarelo, num ato de patriotismo. O efeito foi inverso. De preto, multidões tomaram as ruas, dando início ao processo que culminou no afastamento do presidente.
A convocação de Bolsonaro, por sinal, divide até mesmo seus aliados. Integrantes do PSL, partido do presidente, veem com reservas os eventos próximos. Igualmente empresários que desde a campanha apoiaram o atual titular do Planalto discordam da estratégia. No mundo político em geral, sobram críticas – o governador João Dória (PSDB), por exemplo, considera errado o momento para se promover manifestações.
O fato é que salta aos olhos a perda de capital político do governo. Somente com uma estratégia consistente, melhorando a articulação política e a comunicação com a sociedade, além de retomar o diálogo com a classe política, o quadro poderá ser revertido. Do contrário, os números serão mais e mais negativos para Bolsonaro.















