Casos de sarampo em 11 estados

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O vírus do sarampo, que havia sido declarado erradicado no Brasil em 2016, voltou a circular no país e já alcançou 11 estados durante o inverno deste ano. São 1.680 casos confirmados até 10 de agosto, sendo 98,5% deles no estado de São Paulo.

A parcela da população mais vulnerável ao vírus são os bebês de seis meses a um ano de idade. Por isso, o governo determinou que, a partir dessa quinta-feira (22), todos os cerca de 1,4 milhão de bebês nessa faixa etária deverão receber uma dose inicial da vacina contra o sarampo. A norma anterior exigia a vacinação apenas aos 12 meses de idade, com um reforço aos 15 meses.

Um dos motivos da reintrodução do vírus no território brasileiro é a queda na cobertura da vacinação. A primeira dose da vacina tríplice viral, que imuniza contra o sarampo, chegava a toda a população em 2014. Esse percentual caiu para 96% em 2015, 95% em 2016 e 91% em 2017 e 2018, segundo dados do DataSUS. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que um país precisa ter no mínimo 95% da população imunizada para ficar livre da doença.

A cobertura no Brasil é ainda menor entre os bebês. Em 2018, a taxa de vacinação de crianças de um ano estava abaixo da meta em nove dos 11 estados com casos de sarampo neste ano, segundo dados das secretarias de saúde estaduais compilados pelo Ministério da Saúde, favorecendo o contágio pelo vírus.

A incidência do sarampo no inverno deste ano, nos estados com surto da doença, chegou a 38,3 bebês a cada 100 mil e a 7,8 crianças de 1 a 4 anos a cada 100 mil. No total nacional, a taxa de ocorrência doença é de 0,8 casos por 100 mil habitantes. Não há registro de morte por sarampo neste ano no país.

Segundo a pediatra Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a queda na taxa de cobertura da vacina está ligada ao sucesso do programa de vacinação, pois a ausência de epidemias diminuiu a percepção do risco para o sarampo.

“Os pais que hoje têm 30 anos nunca viram sarampo na vida, e passam a não ver a vacinação como uma necessidade”, diz.

Outros fatores que contribuem para reduzir a cobertura da vacinação, em menor escala, são a abertura de postos de saúde apenas em horários comerciais em muitos municípios, notícias falsas que vinculam vacinas a autismo e a falta de campanhas de conscientização, segundo Ballalai.

Em julho de 2016, o Brasil havia recebido o certificado de país livre do sarampo da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Mas a doença voltou a se espalhar pelo território em 2017, em Roraima e no Amazonas, a partir de pessoas infectadas com o vírus que vieram da Venezuela.

Neste ano, há também registros de transmissão com origem na Noruega, Israel e Espanha, além de um surto iniciado no navio MSC Seaview durante um cruzeiro pelo litoral brasileiro.

Em março de 2019, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta [assista o vídeo com o ministro que fala sobre o Médicos pelo Brasil – sa seção vídeo ao lado], afirmou que o governo iria reforçar o monitoramento da vacinação por meio dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. Ele também defendeu a aprovação de uma lei que exija o certificado de vacinação no ato de matrícula na educação infantil, tema de diversos projetos de lei em trâmite no Congresso Nacional.

O sarampo é uma doença grave que se espalha por meio do ar e do contato direto. Se não tratada rapidamente, pode provocar lesão cerebral, cegueira, surdez, retardo do crescimento e morte.

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