Os efeitos econômicos da pandemia da Covid-19 ampliaram a fome e a insegurança alimentar em favelas brasileiras. Sem emprego, e em alguns casos sem conseguir receber o auxílio emergencial, muitos moradores dessas comunidades precisaram recorrer a doações para conseguir alimentos e convivem com a insegurança em relação a como sobreviverão nos próximos meses.
Um levantamento feito pela Rede de Pesquisa Solidária, que ouviu 79 líderes de comunidades vulneráveis das cinco regiões do país, aponta que 67% deles identificaram fome e privação de alimentação em suas comunidades, e 40% afirmaram que a doação de alimentos não é suficiente e tem problemas de coordenação.
“Há muitas pessoas passando fome. Aumentou o número de pessoas nas favelas e periferias precisando de cestas básicas e do mínimo para sobreviver”, diz Lívia Lopes, coordenadora da Central Única das Favelas (Cufa) de Mato Grosso do Sul. Ela atua com uma equipe de dez pessoas, distribuindo alimentos, materiais de higiene e informação.
Vídeo – moradores da Estrutural fazem fila para cadastro da cesta básica – #COMPARTILHE o Misto Brasília
O levantamento também identificou preocupação dos líderes com a falta de informações corretas sobre como agir para evitar o contágio pela Covid-19: 33% dos participantes da pesquisa relataram ter desenvolvido ações educacionais e informativas com os moradores.
“Na questão da contaminação, muitas vezes a população não sabe em quem acreditar. As pessoas veem os nossos líderes [políticos] falando uma coisa, e a mídia falando outra. Aí acabam ficando perdidas, e a contaminação aumenta”, diz Hebert Novaes, presidente da Cufa de Rondônia. (Da DW)




















