A cada dez anos, o Brasil faz um check-up completo para verificar o que vai bem, o que vai mal, e definir prioridades. Mas a próxima série de exames está atrasada, com orçamento reduzido, e menos abrangente do que o recomendado.
É essa a avaliação de especialistas dentro e fora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) consultados pela DW Brasil a respeito do próximo Censo demográfico, originalmente programado para 2020 e adiado por causa da pandemia de Covid-19. O IBGE, ligado ao Ministério da Economia, é o responsável pelo levantamento.
São três os principais problemas envolvendo o Censo. Primeiramente, em 2019, foi anunciada uma redução no número de questões a serem feitas pelos recenseadores, apesar de as perguntas iniciais terem sido sugeridas por um grupo de estudiosos do próprio IBGE. Depois, este ano, a pandemia inviabilizou a realização do levantamento, remarcado para 2021. Porém, ainda restam dúvidas sobre se visitar mais de 70 milhões de domicílios no segundo semestre do ano que vem será seguro, e o Censo poderá ser adiado de novo.
Finalmente, o orçamento, que até 2019 estava estimado em R$ 3,4 bilhões, sofreu um corte de 41% e ficou em R$ 2 bilhões. “Infelizmente, a proposta de discussão técnica acabou ideologizada”, avalia o ex-diretor de pesquisas (2014-2017) e ex-presidente (2017-2019) do IBGE Roberto Olinto.
Paulo Jannuzzi, professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do instituto, é mais incisivo: “É um corte meio burro, porque não importa exatamente o tamanho do questionário. É um equívoco”. A economista e dirigente nacional da Associação e Sindicato Nacional dos Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Assibge-SN), Dione de Oliveira, concorda. “Queremos fazer o Censo, mas com qualidade e sem experimentalismo. O Censo continua sob risco: o risco orçamentário, e o risco de planejamento técnico, por conta da pandemia e por conta das, digamos, ‘propostas arrojadas‘ da direção.”
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