As oposições não terão vida fácil nas eleições na França, ou na a tentativa de reeleição de Bolsonaro
Texto de André César
O resultado das eleições francesas, com a reeleição de Emmanuel Macron e a consequente derrota de Marine Le Pen, representou um alívio para os defensores da democracia em todo o planeta. No entanto, pouco há a se comemorar – em muitos países, a extrema-direita segue firme em seu projeto político.
O primeiro exemplo está na própria França, com Le Pen. Seu desempenho nos dois turnos do processo eleitoral foi muito bom e ela, ao final, se coloca como a principal força de oposição a Macron. Os mais de 40% de votos recebidos na segunda rodada dão a ela e seu partido, o Reagrupamento Nacional, condições reais de avançar ainda mais junto ao eleitorado. Nesse sentido, as eleições legislativas de junho próximo representarão um duro teste para os partidos de centro e centro-esquerda.
O exemplo mais acabado da força da extrema-direita, hoje, é o governo de Viktor Orbán, na Hungria. No poder com o conservador partido Fidesz há doze anos, ele venceu recentemente um pleito considerado bastante difícil, com os grupos de oposição unidos em torno de uma única candidatura.
Com a confirmação de mais um período no comando do país, Orbán dará sequência a seu projeto de solapar as instituições – o Judiciário e a imprensa já foram tomados e o Parlamento também está sob seu controle. O “amigo” de Putin e “irmão” de Bolsonaro continua inabalável em Budapeste.
Mesmo derrotado pelo democrata Joe Biden em 2020, o polêmico Donald Trump segue dando as cartas entre os republicanos. Nos dias que correm, há uma verdadeira disputa de lideranças do partido pelo posto de detentor do legado do ex-presidente. O mote “Make America Great Again” continua vivo e, ao que tudo indica, será vitorioso nas eleições legislativas do segundo semestre – antessala da sucessão presidencial de 2024, que poderá ter inclusive Trump como candidato a mais quatro anos de mandato. Jogo bruto para os democratas.
O Brasil, é claro, não fica de fora desse quadro. O presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição com reais chances de vitória, tem radicalizado seu discurso, visando manter mobilizada a massa de apoiadores fiéis – algo em torno de 20% a 25% do eleitorado. A pauta de costumes (família, igreja, etc…) passou por cima da já antiga agenda liberal da equipe econômica. Evangélicos e ruralistas dão as mãos em busca de mais quatro anos para o titular do Planalto. As oposições não terão vida fácil durante a campanha.
Duas eleições que ocorrerão em breve também podem marcar uma reafirmação do poderio da extrema-direita. Na Itália e na Colômbia, há possibilidade real de uma guinada em favor de representantes dessa corrente. Mais água nesse moinho.
Enfim, não citamos outros casos, como Polônia (Andrzej Duda) e Filipinas (Rodrigo Duterte), igualmente expoentes da extrema-direita. O êxito de Macron na França foi sem dúvida importante, mas a situação global ainda é de instabilidade. Segue o jogo.


















