O conservador Alckmin deve ser escalado para encontros com representantes religiosos
O ex-presidente Lula da Silva oficializa neste sábado (07), em São Paulo. o lançamento da sua pré-candidatura à Presidência da República. Oficialmente batizada como movimento “Vamos Juntos Pelo Brasil”, a chapa vai reunir sete partidos, entre legenda grandes, como o PT e PSB, médias como Solidariedade, e de menor porte (PSOL, PCdo B, entre outras).
A solenidade polícia começa às 10 horas. No Twitter, há pouco, o ex-presidente afirmou que “hoje a gente começa a reconstruir esse país”.
Após o lançamento oficial da pré-candidatura, neste sábado, a expectativa é que Lula e e Geraldo Alckmin (PSB) se dividam na procura de votos. O conservador Alckmin deve ser escalado para encontros com representantes religiosos, do agronegócio e também eleitores do Sudeste – o ex-tucano foi governador de São Paulo de 2001 a 2006.
Contudo, mesmo os novos planos não são livres de percalços: nesta sexta-feira, a campanha anunciou que Alckmin está com covid-19. Assim, ele deve participar de forma virtual do lançamento da chapa.
Apesar do número considerável de partidos, esta não é a maior chapa já reunida por Lula. Em 1994, ele também disputou o Planalto com o apoio de sete siglas. No entanto, a novidade em 2022 é que a chapa reúne partidos que não estão necessariamente à esquerda, como o Solidariedade, chefiado por Paulinho da Força, que apoiou o impeachment de Dilma Rousseff em 2016.
Dessa forma, o ex-presidente vem tentando montar um arco mais amplo de aliados para se posicionar como uma alternativa atraente contra o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro. Lula ainda tenta atrair apoio do MDB e PSD, legendas de centro-direita.
O carro-chefe dessa estratégia de ampliar o voto para além da esquerda é Geraldo Alckmin, ex-tucano hoje filiado ao PSB que será candidato à vice-presidência pela chapa. Antigo adversário de Lula, o ex-governador, de perfil conservador, começou uma aproximação com o petista no fim do primeiro semestre de 2021, um lance que inicialmente provocou incredulidade entre observadores políticos.
A jogada de agregar um vice de um espectro político diferente não é uma novidade para Lula da Silva, que em 2002 foi eleito tendo o empresário José Alencar como companheiro de chapa. Mas a formação de uma chapa com um antigo adversário político – Lula e Alckmin se enfrentaram nas eleições presidenciais de 2006 – é uma das escolhas mais ousadas e excepcionais que Lula fez em sua carreira política.
Nesta primeira semana de maio, Lula minimizou os ataques que trocou com Alckmin no passado, que perduraram até a eleição de 2018. “Você não acha que o gesto do Alckmin vir ser meu candidato a vice é uma demonstração inequívoca que aquilo faz parte de um passado que eu acho que as pessoas decentes desse país não querem lembrar? Você não acha que o fato do Alckmin ter se filiado ao PSB, aceitado convite para ser meu vice, fazer um programa de governo junto e governar esse país não é um gesto extraordinário de quem quer deixar para lá o passado?”, disse Lula.
Deixadas as antigas diferenças para trás, Lula também expôs o que tem em mente. “Alckmin agrega experiência, agrega um setor da sociedade que durante muito tempo não votou no PT ou não quis votar no PT. O Alckmin agrega pessoas que pensam diferente de nós em muitas coisas”, afirmou Lula nesta quinta-feira em entrevista à Rádio CBN Campinas.
Em dezembro, a pesquisa Datafolha apontou que a entrada de Alckmin na chapa de Lula poderia aumentar a possibilidade de voto no petista para 16% dos eleitores. No entanto, para 70% dos entrevistados a aliança com o ex-governador não mudaria a intenção de voto.
Resistência
Apesar de Lula manter uma liderança incontestável dentro do PT, a estratégia de trazer Alckmin à chapa desagradou parte da militância, descontente de ver o ex-presidente se aliando com um conservador. De certa forma, o roteiro de resistência ao nome entre a militância repete o roteiro que se seguiu após a indicação de José Alencar em 2002, quando o empresário chegou a ser alvo de vaias quando seu nome foi anunciado num evento oficial.
Vinte anos depois, um documento divulgado pela Articulação de Esquerda, uma das correntes mais à esquerda dentro do PT, chamou Alckmin de “golpista, neoliberal, um empecilho programático e um Temer em potencial” – fazendo referência ao antigo vice de Dilma, Michel Temer, de direita, que se voltou contra a então presidente no fim de 2015.
Mas as correntes do PT que não disfarçam a insatisfação com a presença do ex-tucano não demonstraram força para barrar a indicação. Em abril o Diretório Nacional do partido aprovou a chapa por 68 votos a 16.
Também não se esperam durante o lançamento da pré-candidatura, neste sábado, cenas contra Alckmin como as vaias sofridas por Alencar em 2002. Valter Pomar, líder da Articulação de Esquerda, disse ao jornal Folha de São Paulo que estará no evento e que pretende deixar novas críticas para depois.
O deputado federal Rui Falcão, que também reclamou da composição da chapa em janeiro, afirmou igualmente ao jornal que a questão está “resolvida”: “Eu me posicionei, e a maioria do partido foi em outra direção. Está resolvido internamente. Já estive ao lado de Alckmin em eventos. Queremos que ele venha para agregar à campanha. Não quero mais discutir essa questão, todo mundo sabe qual vai ser o resultado. Me inclua fora dessa”, disse Falcão. As informações são da Agência DW.


















