Cacique do Partido Liberal falou em duas entrevistas sobre Bolsonaro que teria errado em alguns episódios, segundo ele
Por Misto Brasília – DF
Muito se especula em torno do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O cacique do partido de Jair Bolsonaro mostra apoio ao ex-mandatário publicamente, mas nos bastidores relata preocupação a aliados.
Em uma entrevista publicada hoje (27), pelo jornal O Globo, Valdemar saiu em defesa de Bolsonaro mais uma vez, registra a Agência Sputnik.
Disse que o ex-presidente “nunca falou sobre contestar a eleição”, e que a minuta encontrada pela Polícia Federal na casa do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, foi um tipo de documento que estava “na casa de todo mundo”.
Valdemar voltar a concede hoje (27) uma entrevista. Ao vivo pela CNN Brasil, repetiu todas as informações que disse ao jornal impresso.
Sobre a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, Valdemar também relata que tem planos para ela. Para ele, Michelle deveria assumir a coordenação do PL Mulher. E que pode até vir a ser candidata à Presidente da República em 2026.
“Ninguém sabe o dia de amanhã”, afirmou o ex-deputado federal. Michele que regressou ao Brasil ontem (27) dos Estados Unidos. O seu marido continua na terra ianque.
Ele também citou os nomes dos governadores Tarcísio de Freitas, de São Paulo, e Romeu Zema, de Minas Gerais. A possibilidade dos três concorrentes estaria ligado a uma negativa de Bolsonaro disputar novamente a Presidência da República. Zema está no Novo, mas há tratativas para ele ingressar no PL.
Eleições no Congresso e o decreto do golpe
Em relação às eleições no Congresso Nacional para presidência da Câmara dos Deputados, a mídia questiona ao presidente da legenda sobre uma ala bolsonarista que quer uma candidatura própria contra Arthur Lira (PP), ao passo que Valdemar respondeu “se alguém sair para disputar com o Lira, nós vamos ser obrigados a expulsar do partido”.
O presidente da legenda acrescentou que “a pressão em cima dele [Bolsonaro] foi uma barbaridade” porque as pessoas acham que “ele é muito valente, meio alterado, meio louco, achava que ele podia dar o golpe”.
“Ele não fez isso porque não viu maneira de fazer. Agora, vão prendê-lo por causa disso? Aquela proposta que tinha na casa do ministro da Justiça, isso tinha na casa de todo mundo. Muita gente chegou para mim agora e falou: ‘Pô, você sabe que eu tinha um papel parecido com aquele lá em casa. Imagina se pegam'”, explicou.
Com essa resposta, a mídia indagou Valdemar se a minuta, que tinha como objetivo mudar o resultado das eleições de 2022, circulava entre pessoas do governo anterior, o presidente confirmou, dizendo até que advogados entraram em contato com ele, mas “não deu bola”, assim como Bolsonaro, uma vez que “o pessoal queria que ele fizesse errado”, afirmou.
“Ele [Bolsonaro] nunca falou nesses assuntos comigo [sobre contestar a eleição]. Um dia eu falei: ‘Tudo que temos que fazer tem que ser dentro da lei.’ Ele falou: ‘Tem que ser dentro das quatro linhas da Constituição.’ Nunca comentei, mas recebi várias propostas, que vinham pelos Correios, que recebi em evento político. Tinha gente que colocava [o papel] no meu bolso, dizendo que era como tirar o Lula do governo. Advogados me mandavam como fazer utilizando o artigo 142, mas tudo fora da lei. Tive o cuidado de triturar. Vi que não tinha condições, e o Bolsonaro não quis fazer nada fora da lei”, disse Valdemar.
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