Governo de Emmanuel Macron diz que essa reforma é necessária sob o risco de colapso do sistema
A primeira-ministra da França, Élisabeth Borne, comunicou nesta quinta-feira (16) à Assembleia Nacional do país que o governo dispensará a votação dos deputados para aprovar o controverso projeto de reforma da Previdência apresentado pelo presidente Emmanuel Macron.
A reforma foi aprovada no Senado na terça-feira, por 193 votos a favor e 114 contra, mas o governo estava inseguro sobre se teria maioria na Assembleia Nacional – a câmara baixa do Parlamento francês.
Borne anunciou a decisão de dispensar a votação dos deputados em meio a gritos dos parlamentares, que também entoaram a La Marseillaise, o hino nacional da França, e pediram a sua renúncia.
“Não se pode correr o risco de jogar com o futuro das aposentadorias. Essa reforma é necessária“, disse a premiê, entre gritos e vaias da oposição, acrescentando que o Executivo recorrerá, “por responsabilidade”, ao artigo 49.3 da Constituição francesa.
A reforma da Previdência proposta por Macron aumenta a idade mínima de aposentadoria de 62 anos para 64 anos, e vem sendo contestada por amplos protestos e greves nas últimas semanas, com reflexos na vida cotidiana de milhões de franceses.
Macron argumenta que a medida seria necessária para evitar que o sistema previdenciário entre em colapso à medida em que a idade média da população do país aumenta, assim como a expectativa de vida.
A maioria da população, porém, é contra, e alguns economistas franceses afirmam não haver risco de colapso no sistema e que outras alternativas poderiam ser buscadas, como cobrar contribuições mais altas de empregados e empregadores.















