Preços absurdos ameaçam a COP30 em Belém

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Detalhe parcial da cidade de Belém, que vai sediar em novembro a COP30/Arquivo/Gov
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Há uma sensação, literalmente, de revolta dos países por essa insensibilidade, sobretudo por parte dos países em desenvolvimento

Por Misto Brasil – DF

O Brasil está sendo pressionado a realizar a COP30, conferência climática da ONU, fora de Belém. Parte dos 198 países esperados para participar da conferência sobre o clima em novembro expressa insatisfação com o que classificam como “preços exorbitantes” cobrados pelas acomodações na capital paraense.

Diversas delegações poderão ser reduzidas ou forçadas a não comparecer diante das diárias cobradas por hotéis, afirmam governos, a pouco mais de cem dias do megaevento, marcado para 10 a 21 de novembro.

“Há uma sensação, literalmente, de revolta dos países por essa insensibilidade, sobretudo por parte dos países em desenvolvimento“, disse o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, nesta quinta-feira (31). “Ficou público que os países estão pedindo para o Brasil tirar a COP de Belém.”

Dois dias antes, uma reunião de emergência do órgão climático das Nações Unidas convocada pelo Grupo de Negociadores Africanos havia endereçado o impasse, reportou a agência Reuters.

O jornal Folha de São Pauloteve acesso a uma carta assinada por 25 países negociadores, incluindo o Grupo de Negociadores Africanos e os Países Menos Desenvolvidos (LDC, em inglês). Entre os signatários, do texto estão também nações desenvolvidas, como Áustria, Bélgica, Canadá, República Tcheca, Finlândia, Holanda, Noruega, Suécia e Suíça.

O texto pede condições mínimas de acomodação e custo, “seja em Belém ou em outro lugar”, pelo menos no caso da cúpula de chefes de Estado, de 6 a 7 de novembro.

Os signatários apontam que a participação só é viável se puderem “viajar até Belém, ficar em acomodações adequadas e acessíveis, e ir ao pavilhão e voltar de forma segura e eficiente em termos de tempo, inclusive tarde da noite”.

À imprensa, o Brasil vem negando que considere a alteração da sede da conferência, que espera 50 mil visitantes para os dez dias de megaevento.

Autoridades de seis governos, incluindo nações europeias mais ricas, relataram à Reuters que ainda não garantiram acomodações, devido aos preços elevados em Belém. Cotações mostradas pelos países à agência giravam em torno de 700 dólares por noite (cerca de R$ 4 mil).

O vice-ministro do Clima da Polônia, Krzysztof Bolesta, afirmou no início deste mês: “Não temos acomodações. Provavelmente teremos que reduzir a delegação ao mínimo. Em um caso extremo, talvez tenhamos que desistir de comparecer.”

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