Ele deu como exemplo a pandemia da Covid-19, quando parlamentares participaram de votações e sessões remotamente
Por Misto Brasil – DF
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) enviou nesta quinta-feira (29) pedido de autorização ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para exercer o mandato no exterior.
Nos Estados Unidos desde o fim de fevereiro, ele alega sofrer perseguição política e jurídica no Brasil. Ele se afastou do mandato com uma licença para tratar de assuntos pessoais, em março, e não retornou após o recesso parlamentar, em agosto.
No documento, publicado em suas redes sociais, ele diz que está impedido de exercer seu mandato no país e espera que a Câmara permita que ele siga atuando no campo da diplomacia parlamentar e que sejam criados mecanismos que permitam sua participação remota nas atividades da Câmara.
Nos EUA, Eduardo tem se reunido com representantes do governo americano e articulado pressões para que seu pai, que está em prisão domiciliar, seja anistiado, caso seja condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado.
“Durante o período de Carnaval, viajei aos EUA levando apenas uma pequena mala, em caráter predominantemente privado. Ainda no curso dessa viagem, surgiram notícias de que minha atuação internacional estava incomodando a ponto de se cogitar a cassação de meu passaporte e a imposição de outras medidas restritivas. Certo de que não poderia correr o risco de interromper esforços diplomáticos tão relevantes, decidi permanecer em território norte-americano em licença não remunerada, direito assegurado a qualquer parlamentar”.
Ele deu como exemplo a pandemia da Covid-19, quando parlamentares participaram de votações e sessões remotamente para justificar o pedido, ao frisar que o contexto político atual no Brasil é semelhante devido a uma “crise institucional”.
“Não se pode admitir que o que foi assegurado em tempos de crise sanitária deixe de sê-lo em um momento de crise institucional ainda mais profunda. Vivemos, infelizmente, sob um regime de exceção, em que deputados federais exercem seus mandatos sob o terror e a chantagem instaurados por um ministro do STF que age fora dos limites constitucionais e já é alvo de repúdio internacional. Não reconheço falta alguma, não renuncio ao meu mandato, não abdico das minhas prerrogativas constitucionais e sigo em pleno exercício das funções que me foram conferidas pelo voto popular”, afirmou.
A Polícia Federal indiciou na semana passada Jair e Eduardo Bolsonaro por tentar influenciar o processo judicial por meio das sanções econômicas de Trump ao Brasil.
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