Além disso, nem todas as unidades prestam todos os serviços. O problema afeta milhares de pessoas que precisam de assistência no DF
Por Misto Brasil – DF
Os Centros de Referência de Assistência Social (Cras) funcionam de forma insuficiente e precária para atender a população em vulnerabilidade.
Apenas cerca de 24% dos 21 serviços previstos são executados por todas as unidades, o que fragiliza a implementação do Programa de Atenção Integral à Família (Paif) e compromete ações de convivência e fortalecimento comunitário.
Atualmente, existem 31 unidades em funcionamento na capital federal, mas seriam necessárias ao menos 56 para garantir a cobertura mínima recomendada às famílias em situação de pobreza e de baixa renda.
A conclusão é de um estudo feito pelo Ministério Público do Distrito Federal, que teve como objetivo examinar a implementação da política de assistência social no DF.
Segundo dados do Cadastro Único, até 2023 mais de 370 mil famílias estavam registradas no sistema, das quais 76% viviam em condições de pobreza ou baixa renda.
Esse percentual equivale a 282.225 famílias referenciadas, o que justificaria a necessidade de 56 unidades. Caso todas as famílias cadastradas fossem consideradas referenciadas, o número de Cras necessários subiria para 74.
O relatório aponta problemas graves de infraestrutura, como infiltrações, rachaduras, mofo e ausência de acessibilidade, além da falta de espaços adequados para atendimentos sigilosos.
Aproximadamente 60% das unidades não possuem rampas ou rotas acessíveis até a recepção e metade não dispõe de banheiro adaptado para pessoas com deficiência.
De acordo com o promotor de justiça Bernardo Matos, “o cenário identificado pelo Ministério Público exige respostas rápidas”.
“É fundamental ampliar a rede de Cras, realizar concursos públicos e investir em infraestrutura e recursos materiais, para que esses espaços possam cumprir seu papel de porta de entrada da assistência social”.















