Os EUA por trás do caos latino-americano

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O presidente dos EUA não esconde as suas pretensões na América Latina/Arquivo/Izquierda Revolucionária
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Não é exagero prever uma desestabilização, incluindo uma crise humanitária, aumento dos fluxos migratórios e a expansão da criminalidade

Por  Marcelo Rech – DF

A Política Externa do segundo mandato de Donald Trump, recolocou a América Latina no radar dos EUA. Ao implementar uma política de resgate da influência norte-americana na região, os EUA não buscam corrigir rumos, mas conter a China e estabelecer o controle irrestrito sobre os minerais estratégicos de importância crítica.

Neste sentido, Trump busca, também, redesenhar o mapa regional, a exemplo do que tem feito no Oriente Médio. Este processo teve início com o sequestro de Nicolás Maduro e a derrubada parcial da ditadura chavista na Venezuela.

Parcial porque Washington manteve no poder, um grupo que sempre operou com Maduro, o traiu, o entregou e, agora, exerce de títere dos EUA.

O passo seguinte, derrubar a ditadura comunista de Cuba. Para tanto, foi imposto um bloqueio comercial e energético, impedindo o fornecimento de combustível à Ilha.

A estratégia que visa asfixiar o regime castrista, acaba por provocar uma catástrofe humanitária aos cubanos, as principais vítimas do seu próprio governo.

Neste contexto, Brasil e México são chamados a se solidarizarem com Havana e a impedirem que Washington instale em Cuba, um governo de fachada, como mantinha até antes da Revolução de 1959. No entanto, considerando o exemplo venezuelano, é pouco provável que a intervenção norte-americana busque restaurar a democracia em Cuba.

Não é preciso ir muito longe para concluir que a intervenção dos EUA na Venezuela é negativa sob qualquer ponto de vista. Maduro exercia como narcoditador, não restam dúvidas, mas a ação norte-americana teve como objetivo central, atender aos interesses dos EUA. Libertar os venezuelanos da tirania nunca foi a prioridade.

Como não é no caso de Cuba e não será com qualquer outro país que concentre recursos estratégicos.

Neste sentido, não é exagero prever uma desestabilização da América Latina, incluindo uma crise humanitária, aumento dos fluxos migratórios e a expansão da criminalidade comum e do narcotráfico, associados, como sempre, ao contrabando e ao tráfico humano.

Em diferentes graus, os problemas sociais e econômicos tendem a agravar-se, enterrando de vez a esperança daqueles que ainda creem que os EUA podem representar a única salvação.

Mas é preciso ser justo. Essa política agressiva não se esconde nem se disfarça. O governo Trump declara abertamente suas pretensões de domínio, com o acesso ilimitado aos recursos naturais da América Latina, um dos seus principais ativos.

Há cerca de três meses, os EUA têm se beneficiado dos hidrocarbonetos venezuelanos e, agora, até mesmo de urânio altamente enriquecido, sem qualquer benefício para os venezuelanos e diante de um sistema multilateral ineficiente, covarde e corrupto.

Os EUA também têm aumentado a presença militar em países fortemente atingidos pelo narcotráfico e designando como terroristas os grupos vinculados ao crime organizado, em clara interferência na soberania dos países latino-americanos, o que é facilitado pelos países da região que não combatem o crime organizado e permitem que essas organizações se infiltrem nas estruturas dos Estados.

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