A grande maioria deles estava detida na prisão de Tocorón, a uma hora e meia de Caracas, por sua participação nos protestos populares em massa
Por Misto Brasil – DF
Na véspera de Ano Novo, o regime chavista autorizou a libertação de mais 87 presos políticos na Venezuela. Essa informação foi confirmada por organizações da sociedade civil ligadas à causa dos presos, como Justiça, Encontro e Perdão e o Comitê de Mães em Defesa da Verdade.
A grande maioria deles estava detida na prisão de Tocorón, a uma hora e meia de Caracas, por sua participação nos protestos populares em massa que contestaram a vitória de Nicolás Maduro nas eleições presidenciais de 2024, de acordo com reportagem do El País.
Após a autorização das libertações, a associação civil Justiça, Encontro e Perdão informou que, até o momento, 33 haviam sido realizadas. As notícias sobre presos políticos na Venezuela frequentemente contêm um subtexto que gera confusão e interpretações equivocadas.
Por vezes, o regime venezuelano não liberta todos os presos anunciados, ou pelo menos atrasa a libertação de muitos casos, causando ansiedade entre as famílias afetadas. No Natal, o governo Maduro anunciou a libertação de 99 presos políticos.
A organização Foro Penal, referência no assunto, havia registrado 61 libertações até 30 de dezembro.
Atualmente, incluindo as libertações anunciadas, ainda existem aproximadamente 720 presos políticos na Venezuela, o maior número em todo o Hemisfério Ocidental. O governo Maduro vem autorizando esses indultos ao longo do último ano, beneficiando centenas de pessoas, mas somente após uma violenta repressão à população nas semanas que se seguiram às eleições presidenciais de julho de 2014.
No segundo semestre do ano passado, após essas eleições controversas, 2.000 pessoas foram presas. A prisão de Tocorón, no estado de Aragua, tradicionalmente um centro judicial para criminosos comuns, passou por ampliações para acomodar os novos presos políticos, que já estavam superlotados em outras prisões.
Os presos políticos beneficiados, como os libertados no dia de Natal, não têm plena liberdade: permanecerão sob medidas cautelares, com um regime de comparecimento perante os tribunais e algumas restrições adicionais.


