Violência de gênero ainda é uma triste realidade

Planaltina ato contra a violência de gênero DF Misto Brasília
Ato contra a violência realizado em Planaltina/Arquivo
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A maior parte dos crimes ocorreu dentro da residência da vítima (64%), e aproximadamente 80% foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros

Por Misto Brasil – DF

Na véspera do Dia Internacional da Mulher, os dados mais recentes sobre violência de gênero no Brasil reforçam um cenário que contrasta com o caráter simbólico da data.

Em 2025, o país registrou 1.470 feminicídios, média de quatro mulheres assassinadas por dia, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A maior parte dos crimes ocorreu dentro da residência da vítima (64%), e aproximadamente 80% foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros.

No Sul do Brasil, o contexto regional reflete o desafio nacional. No Rio Grande do Sul, em 2025, foram registrados 80 feminicídios, e quase 70 mil Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) foram encaminhadas ao Judiciário.

Operações policiais resultaram na prisão de dezenas de agressores, com reforço da Patrulha Maria da Penha e equipes de pronto atendimento, ampliando a proteção às vítimas, segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado.

No primeiro semestre de 2025, foram registrados 718 feminicídios e 33.999 estupros contra mulheres no país, média de 187 casos por dia, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, elaborado pelo Observatório da Mulher Contra a Violência, vinculado ao Senado Federal.

Para a psicanalista Camila Camaratta, os números evidenciam que o feminicídio raramente representa um ato isolado.

“Na maioria dos casos, trata-se do desfecho de uma violência que já vinha se manifestando. A agressão não começa no último dia; ela se instala gradualmente, em dinâmicas de humilhação, intimidação e escalada de conflitos”, afirma.

Segundo ela, um dos fatores que contribuem para a permanência em relações violentas é a expectativa de mudança. “O que hoje parece suportável pode, amanhã, se tornar uma tragédia.”

Camaratta destaca que a dificuldade social de reconhecer a gravidade dessas dinâmicas também favorece a repetição dos casos. “Quando determinadas formas de violência são tratadas como ‘problema de casal’ ou conflito privado, a trajetória que antecede o crime tende a ser minimizada”, diz.

Casos recentes também trouxeram à tona episódios de filicídio ocorridos em contextos de violência doméstica, em que os filhos são mortos como extensão da agressão dirigida à mulher.

Às vésperas do 8 de março, especialistas apontam que o debate não deve se restringir à punição dos crimes consumados, mas à identificação precoce dos sinais de risco.

“Prevenir implica reconhecer que a violência tem trajetória. Interrompê-la antes do último ato é o verdadeiro desafio”, conclui Camaratta.

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