Uma das conversas ocorreu em 15 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez
Por Misto Brasil – DF
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pagou cerca de R$ 61 milhões para financiar um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O dinheiro foi pedido pelo senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de acordo com informações divulgadas nesta quarta-feira (13) pelo portal The Intercept Brasil.
Diálogos divulgados pelo site mostram Flávio Bolsonaro pedindo mais dinheiro a Vorcaro ao falar sobre o filme.
Ouça a gravação de Flávio Bolsonaro logo abaixo
Uma das conversas ocorreu em 15 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master.
Leia – Vorcaro, do Master, teria financiado filme sobre Bolsonaro
De acordo com o Intercept Brasil, Vorcaro pagou para a produção do filme ao menos R$ 61 milhões, entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações.
O valor total negociado chegaria a R$ 134 milhões, embora, de acordo com o site, não haja evidências de que todo o dinheiro tenha sido repassado.
Parte do dinheiro teria sido transferida da empresa Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, com sede no Texas, nos EUA.
Esse fundo seria, segundo a reportagem, controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está vivendo no país.
“Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”, teria afirmado o senador em áudio enviado a Vorcaro em 8 de setembro do ano passado.
“Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, teria acrescentado. Jim Cazaviel interpreta Jair Bolsonaro no filme. Cyrus Nowrasteh é o diretor do longa-metragem Dark Horse, que tem lançamento previsto para 11 de setembro, a menos de um mês do primeiro turno das eleições.
Conversas e tropeços na pré-campanha
As conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro publicadas pelo Intercept incluem também mensagens com imagens de visualização única.
Em 16 de novembro, após o envio de duas mensagens desse tipo, Flávio diz: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”
Vorcaro responde com uma mensagem de visualização única, e Flávio reage dizendo “Amém”.
Através de nota, o senador Flávio Bolsonaro reconheceu que buscou Daniel Vorcaro para patrocinar o filme de seu pai.
No texto, divulgado após reunião de emergência da pré-campanha, Flávio pediu a instalação de uma CPI do Banco Master, afirmando que a medida seria “mais fundamental do que nunca” para “separar os inocentes dos bandidos”.
O senador argumentou que a relação com Vorcaro se deu exclusivamente no contexto da busca de patrocínio para o filme. “O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, afirmou.
Flávio diz no comunicado ter conhecido Vorcaro somente em dezembro de 2024, época em que “não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”, acrescentando que o contato foi retomado posteriormente por causa de atrasos em parcelas de patrocínio destinadas à conclusão do filme.
Ele negou ter oferecido a Vorcaro vantagens em troca de dinheiro ou ter atuado em favor do empresário junto ao poder público.
“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, escreveu.
“Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero: CPI do Master já”, concluiu.
Nota do senador Flávio Bolsonaro
Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet.
Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme.
Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo.
Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ.















