Selic e inflação mais altas. Veja a análise dos especialistas

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Vendas no comércio é um termômetro de como vai a economia/Arquivo
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As previsões para a taxa básica de juros, a Selic, subiram de 13% para 13,25% neste ano enquanto para 2027, 2028 e 2029

Por Misto Brasil – DF

Os economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) ajustaram as projeções para a inflação pela décima vez consecutiva, segundo o Boletim Focus divulgado na manhã desta segunda-feira (18).

As expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 aumentaram de 4,91% para 4,92%, fora da faixa de tolerância da meta para a inflação definida pelo BC.

Para 2027 e 2029, as estimativas permaneceram em 4% e 3,50%, respectivamente. Para 2028, a projeção subiu para 3,65%.

As previsões para a taxa básica de juros, a Selic, subiram de 13% para 13,25% neste ano enquanto para 2027, 2028 e 2029 se mantiveram em 11,25%, 10% e 10%, respectivamente.

Vejao que dizem os especialistas sobre essa pesquisa

Peterson Rizzo, Head de Relações com Investidores da Multiplike – “A revisão recente do cenário aponta deterioração relevante das expectativas de inflação, com a mediana do mercado para o IPCA de 2026 já próxima de 5%, acima do teto da meta”.

“Isso reduz o espaço para queda de juros e aumenta o risco de frustração nas próximas decisões do Copom, já que o Banco Central deve adotar uma postura mais cautelosa para preservar sua credibilidade”.

André Matos, CEO da MA7 Negócios – “O dado que deve pesar mais agora é a dinâmica do IPCA corrente, especialmente serviços e administrados, porque são componentes que mostram se a desaceleração é estrutural ou apenas pontual”.

“O PIB em 1,85% indica uma economia que perde velocidade, mas não desacelera o suficiente para garantir queda rápida dos juros”

Sidney Lima, Analista da Ouro Preto Investimentos –  “O câmbio contido em R$ 5,20 e queda projetada pra 2027 ajuda a aliviar parte da pressão sobre combustíveis, importados e algumas commodities, mas não é suficiente para mudar sozinho a leitura do Copom”.

“O número que mais deve pesar nas próximas semanas será a inflação de serviços, porque ela mostra se a demanda interna realmente está perdendo força”.

Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos – “A inflação suavizada em 12 meses caiu para 3,95%, o que é positivo, mas ainda precisa ser confirmado por dados de composição, principalmente serviços, administrados e núcleos”.

“Para o mercado de FIDCs, esse ambiente tende a reforçar a importância de estruturas bem desenhadas, com governança, monitoramento de carteira e leitura precisa de risco. Juros altos não paralisam o crédito estruturado, mas exigem maior rigor na originação e na precificação”.

João Kepler, CEO da Equity Group – “Para o Copom, a frustração nas próximas reuniões pode vir se o mercado esperar cortes antes da hora, porque a projeção de Selic em 13,25% para 2026 sugere que os próprios economistas já começam a incorporar um ciclo mais lento”.

“Para empresas e startups, o recado é claro: capital segue mais seletivo, execução pesa mais que narrativa e eficiência volta a ser diferencial competitivo. Ainda há sinais pontuais de alívio, como a inflação suavizada em queda, mas o conjunto não permite euforia”.

“O cenário exige cautela, disciplina e foco em negócios capazes de crescer mesmo com custo de capital elevado”. 

Gustavo Assis, CEO da Asset Bank – “O mercado está dizendo, pelos números do Focus, que a queda dos juros não será linear. Para o crédito estruturado, esse cenário favorece operações mais técnicas, com análise criteriosa de risco, lastro e capacidade de pagamento”.

“A demanda por capital continua existindo, mas o investidor exige mais previsibilidade. O ambiente ainda é positivo para estruturas bem montadas, mas menos tolerante a crédito mal precificado”. 

Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações – “O número que deve pesar mais nas próximas semanas é a inflação de serviços, porque ela costuma ser mais resistente e tem relação direta com renda, emprego e consumo”.

“Para o investidor de longo prazo, o cenário reforça a importância de diversificação, porque juros elevados continuam oferecendo retorno relevante na renda fixa, mas também criam oportunidades graduais em bolsa e ETFs para quem tem horizonte maior”.

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