Empresas e bancos brasileiros podem sofrer sanções

Banco Central do Brasil Misto Brasil fachada
O Banco Central é a autoridade monetária e financeira do Brasil/Arquivo/Divulgação
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Passou a valer nesta sexta-feira (05) a definião de organizações terroristas e abre uma nova frente de risco para o sistema financeiro brasileiro

Por Misto Brasil – DF

A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos, que passou a valer nesta sexta-feira (05), abre uma nova frente de risco para o sistema financeiro brasileiro.

Bancos e empresas com ativos nos EUA passam a correr o risco de sofrer sanções por qualquer suspeita de associação com lavagem de dinheiro dessas facções, ainda que de forma indireta e involuntária.

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O alerta é de Vinícius Rodrigues Vieira, professor de relações internacionais e economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), em entrevista à rádio Primacet.

Segundo ele, a medida se soma à investigação em curso do Departamento de Comércio americano, que aponta para a aplicação de tarifas pesadas sobre produtos brasileiros, configurando um duplo vetor de pressão sobre a relação Brasil-EUA.

Com PCC e Comando Vermelho na lista de organizações terroristas do governo americano, qualquer banco ou empresa brasileira que tenha, ainda que sem conhecimento, negócios com empresas associadas ao crime organizado passa a estar vulnerável a sanções.

O alcance potencial é amplo o suficiente para afetar, em última instância, todo o sistema financeiro internacional com conexões ao Brasil.

Rodrigues Vieira avalia que a medida faz parte de um conjunto de ações coordenadas pelo governo Trump para pressionar o Brasil a adotar determinados rumos na política e na economia.

“O que tem se passado nos últimos dias na relação entre Brasil e Estados Unidos resolve uma série de medidas que claramente tem como objetivo pressionar o Brasil”, disse o professor, em transcrição da entrevista.

Para o professor da FGV, não há muitas alternativas imediatas além de agir com rapidez em duas frentes.

A primeira é pragmática: mapear os riscos, entender juridicamente o que pode ser feito caso sanções sejam impostas e acionar os mecanismos de compliance já existentes nas grandes instituições financeiras.

Na prática, isso significa fazer uma varredura nas carteiras de clientes e contrapartes em busca de contas ou ativos com potencial vinculação ao crime organizado, antes que qualquer sanção formal seja decretada.

A segunda frente é mais ampla. Rodrigues Vieira recomenda que o setor produtivo e o setor financeiro se unam para atuar junto a autoridades brasileiras, americanas e, principalmente, ao setor privado dos EUA, com o objetivo de reduzir o alcance desses instrumentos que, por ora, ainda não se converteram em sanções efetivas.

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