A trajetória eleitoral brasileira revela as cicatrizes de uma democracia ainda jovem, que será testada em outubro
Por Arthur de Carvalho, Eliza Lima, Gabriela Cidade e Lara Nery – DF
Trinta e sete anos depois da primeira eleição direta para presidente da República após a ditadura militar, o Brasil chega a 2026 diante de uma democracia mais tecnológica, mais polarizada e ainda marcada por personagens que surgiram no fim dos anos 1980.
Lula da Silva (PT), atual presidente, tenta um quarto mandato, enquanto o bolsonarismo busca um sucessor para Jair Bolsonaro (PL), adversário do atual residente em 2022, hoje condenado e inelegível.
A permanência de Lula da Silva no centro da disputa contrasta com um cenário eleitoral profundamente diferente daquele de 1989, quando Fernando Collor, então no PRN, venceu o primeiro pleito direto pós-ditadura e governou até sofrer impeachment, em 1992.
Desde então, o país trocou cédulas por urnas eletrônicas, viu os comícios dividirem espaço com as redes sociais e passou a conviver com campanhas marcadas por algoritmos, desinformação e polarização afetiva.
Enquanto Lula da Silva segue como principal nome do PT, a direita testa alternativas para ocupar o espaço deixado por Bolsonaro. Entre os nomes cotados estão Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), pré-candidatos já lançados da oposição.
Para o cientista político Rogério Oliveira Araújo, da Universidade Federal do Piauí, o possível encerramento dos ciclos políticos de Lula da Silva e Jair Bolsonaro — derrotado pelo petista nas eleições de 2022 — abre um período de incertezas para os dois campos.
A transição, no entanto, ocorre de forma desigual. Segundo ele, o PT enfrenta uma crise de sucessão, já que Lula da Silva se tornou uma liderança maior do que o próprio partido. “Lula se tornou um nome para além do partido, um poder eleitoral que tem se cristalizado no Brasil, superando várias adversidades”, afirma.
No campo bolsonarista, a transferência de votos tem se mostrado mais natural. Pesquisas como a Real Time Big Data, divulgada em 1º de junho, indicam Flávio Bolsonaro, Caiado e Zema como nomes competitivos em cenários de segundo turno. Para Araújo, esse desempenho revela uma base mobilizada menos pela dependência de um único líder e mais pela rejeição à esquerda e ao PT.
A disputa entre esses dois campos, porém, não começou agora. Em 2018, com Lula da Silva preso e declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o lulismo foi às urnas sem seu principal líder. O ex-presidente cedeu lugar ao petista Fernando Haddad, hoje pré-candidato a governador de São Paulo, enquanto Jair Bolsonaro venceu o segundo turno com 55,13% dos votos válidos e consolidou o bolsonarismo como força nacional.
Em 2022, o confronto foi direto: Lula da Silva enfrentou Bolsonaro pessoalmente e venceu com uma margem estreita no segundo turno, com diferença de apenas 1,80% dos votos. O PT voltou ao poder, mas a disputa entre os dois campos não se encerrou.
Em 2026, a história chega ao terceiro ato, com os papéis de 2018 trocados. Condenado e declarado inelegível pelo TSE, Bolsonaro não pode disputar a eleição. Quem herda a bandeira do bolsonarismo é o filho mais velho: Flávio. Do outro lado, Lula, aos 80 anos, busca o quarto mandato.
A disputa entre esses dois campos, porém, não começou agora. Em 2018, com Lula da Silva preso e declarado inelegível pelo TSE, o lulismo foi às urnas sem seu principal líder. O ex-presidente cedeu lugar a Fernando Haddad, enquanto Jair Bolsonaro venceu o segundo turno com 55,13% dos votos válidos e consolidou o bolsonarismo como força nacional.

Fim da ditadura militar
Em meio à crise da dívida externa herdada da ditadura militar, que consolidou seu fim em 1985, com o PIB (Produto Interno Bruto) recuando para 2,9% e a inflação fechando em 164% em 1983, surgiu um sopro de esperança que levou milhões de brasileiros para as ruas: o Diretas Já, um dos maiores movimentos populares até então. Uma população censurada durante 21 anos ecoava seu grito por todo o país entre 1983 e 1984.
Apesar da adesão popular, em manifestações que reuniram mais de 1 milhão de pessoas em São Paulo, faltaram 22 votos para aprovar a emenda. Com a derrota, parte da oposição se uniu para lançar a candidatura da dupla Tancredo Neves/José Sarney à presidência da República pelo Colégio Eleitoral. Vitorioso, Tancredo morreu antes da posse, Sarney assumiu como presidente, dando início à Nova República.
O governo de Sarney, de 1985 a 1989, tem dois marcos que se destacam. Durante seu mandato, foi promulgada pelo Congresso a Constituição de 1988. Apelidada de Constituição Cidadã, consolidou direitos civis fundamentais, restabeleceu as liberdades públicas e promoveu uma inclusão eleitoral e consolidou tanto o voto secreto e universal, quanto a idoneidade das eleições, com o trabalho das justiças eleitorais e das urnas eletrônicas (estas implementadas a partir de 1996).
O segundo marco foi uma sucessão de planos econômicos fracassados na tentativa de conter a hiperinflação, iniciado pelo Plano Cruzado em fevereiro de 1986. Conforme dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Sarney fechou o governo com a inflação em 1.972%.
Foi nesse cenário de exaustão e expectativa que o Brasil chegou a 1989, ano do reencontro definitivo com as urnas. Após quase três décadas sem escolher diretamente o presidente da República, parte expressiva da população via o voto como um gesto de retomada democrática.
A entrevistada Leci Gomes, hoje com 88 anos, resume esse sentimento: “Nem que tivesse que pisar em pregos, eu iria votar”.

Nova Constituição
A Constituição de 1988 ampliou esse processo de participação política ao garantir o voto aos analfabetos e permitir, pela primeira vez, que jovens de 16 e 17 anos participassem de uma eleição presidencial. O país chegava às urnas movido pelo desejo de decidir os rumos da nação depois de um longo período de restrições democráticas.
Naquele contexto, a televisão assumiu papel central na campanha. Os debates e o Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral mobilizaram milhões de eleitores e alcançaram índices expressivos de audiência. A disputa também marcou a consolidação da imagem pública dos candidatos como fator decisivo na corrida presidencial.
A reta final da eleição foi marcada por forte tensão política e pela circulação de informações falsas contra Luiz Inácio Lula da Silva. Anos depois, a Rede Globo reconheceu que a edição do debate do segundo turno entre Lula da Silva e Fernando Collor de Mello, exibida no Jornal Nacional, favoreceu Collor. O candidato venceu a disputa com 53,03% dos votos válidos.
O governo Collor, no entanto, rapidamente passou da promessa de renovação à crise. Em 1990, o Plano Collor bloqueou parte significativa dos depósitos em cadernetas de poupança e contas correntes, numa tentativa extrema de conter a inflação. A medida paralisou a economia e atingiu diretamente o patrimônio de milhões de brasileiros.
A crise econômica foi agravada por denúncias de corrupção envolvendo o esquema comandado por Paulo César Farias, tesoureiro da campanha presidencial. Em 1992, a mesma população que havia escolhido Collor voltou às ruas. Liderados por estudantes que ficaram conhecidos como “caras-pintadas”, os protestos pressionaram o Congresso e contribuíram para a abertura do processo de impeachment. Collor deixou a Presidência no mesmo ano, e o vice, Itamar Franco, assumiu o governo.
Após o colapso político e econômico do período Collor, o governo Itamar Franco abriu caminho para uma nova tentativa de estabilização. Sob o comando de Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda, foi lançado o Plano Real, em 1994. A nova moeda controlou a hiperinflação, reorganizou a economia e projetou FHC nacionalmente.
O êxito do plano impulsionou sua eleição para a Presidência da República, cargo que ocupou por dois mandatos, de 1995 a 2002, depois de aprovada a emenda que permitiu reeleição para ocupantes de cargos no Executivo federal, estadual e municipal.
Um operário na presidência da República
Após o governo de Fernando Henrique Cardoso, em 2002, Lula da Silva é eleito à presidência com cerca de 53 milhões de votos, derrotando José Serra (PSDB), resultado influenciado pela crise cambial do segundo mandato de FHC que contribuiu para a popularidade de Lula da Silva.
Em quatro anos de governo, se destacou por suas políticas públicas e sociais que combatiam a desigualdade social e os altos níveis de pobreza no Brasil.
Porém durante seu primeiro mandato houveram escândalos de corrupção, sendo o mais famoso o caso do Mensalão, mas, apesar disso, Lula da Silva foi reeleito em 2006.
Em junho de 2005, Dilma Rousseff assumiu a chefia da Casa Civil da Presidência da República e se tornou uma das principais auxiliares de Lula. A posição ampliou sua visibilidade política e ajudou a consolidá-la como candidata governista em 2010. Na eleição daquele ano, Dilma derrotou o senador José Serra (PSDB-SP) no segundo turno, com 56% dos votos válidos, e se tornou a primeira mulher eleita presidente do Brasil.
Durante seu discurso de posse, Dilma se comprometeu em continuar com a erradicação da pobreza extrema no Brasil. Iniciando seu mandato com projetos como o “Brasil Sem Miséria” e o programa “Mais Médicos”, seu primeiro mandato também é lembrado pela “Faixa Ética” que levou à demissão de 6 ministros acusados de corrupção.
No entanto, com uma crescente oposição parlamentar e o enfraquecimento da economia, a ex-presidenta teve dificuldades em aprovar projetos, e em junho de 2013 protestos contra o seu governo por conta das tarifas de transporte, críticas ao serviço público e corrupção. Situações que vieram a piorar durante o seu segundo mandato.

Reeleição de Dilma e crise econômica
Dia 26 de outubro de 2014, Dilma Rousseff é reeleita, derrotando Aécio Neves, candidato do PSDB. Apesar da vitória, o agravamento da crise econômica, denúncias de corrupção envolvendo integrantes do PT e aliados, além das dificuldades de articulação política no Congresso Nacional, se agravaram.
Já em 2 de dezembro de 2015 se inicia o processo de impeachment da ex-presidenta. Motivado pela a acusação de Crime de Responsabilidade, que de acordo com a análise do processo feito pela justiça eleitoral Um laudo pericial do Senado indicou que não foi identificado ato comissivo direto da presidenta, o PT defende a tese que o impeachment foi um “golpe”,e o processo foi movido por interesses políticos.
Sobre a compreensão do panorama político e as implicações do impeachment, o cientista político Rogério Oliveira explica “ ele enfraquece muito a democracia, principalmente quando a gente olha as motivações internas.
No caso da presidente Dilma, por exemplo, há um debate muito grande sobre se classificamos ou não o impeachment como um golpe de Estado, uma vez que os critérios utilizados para a retirar do mandato não se enquadram necessariamente no que a Constituição prevê.”
O documento também aponta que o processo de impeachment foi um catalisador para o surgimento e fortalecimento de uma “nova direita” no Brasil, caracterizada por ser mais conservadora, reacionária e violenta.
Com o processo de impeachment de Dilma Rousseff e a crescente insatisfação com os governos do PT, o cenário político brasileiro foi marcado por uma drástica queda de popularidade do partido. Enquanto em setembro de 2014 o governo Dilma detinha 37% de aprovação (ótimo/bom), esse índice despencou para apenas 10% em março de 2016, com a desaprovação chegando a 69%.
A sensação de instabilidade foi aprofundada pela extrema impopularidade de Michel Temer (MDB), cujo governo alcançou apenas 5% de aprovação em julho de 2017, segundo dados de pesquisa CNI-Ibope.
Cresce a polarização política
A partir das eleições de 2018, a polarização política ganhou novo peso no Brasil, em sintonia com uma tendência internacional de fortalecimento da extrema direita. Diferentemente de disputas anteriores, o conflito passou a ser marcado por uma polarização afetiva, baseada mais na rejeição ao adversário do que apenas na defesa de propostas ou programas de governo.
Dados de pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) de 2022 indicam que, em 2018, cerca de 24,3% dos eleitores apresentaram níveis máximos de polarização afetiva em relação às principais lideranças políticas.
Foi nesse ambiente que Jair Messias Bolsonaro, ex-capitão do Exército e deputado federal por sete mandatos, ganhou projeção nacional. Embora tivesse uma longa trajetória no Congresso, associada ao chamado “baixo clero”, ele se apresentou como um candidato antissistema, apoiado na crise de legitimidade dos partidos tradicionais.
Sua campanha dialogou com grupos conservadores, setores evangélicos, defensores do armamento civil e representantes da chamada “bancada da bala”.
Entre as principais bandeiras estavam a redução do papel do Estado, privatizações, flexibilização do porte de armas, endurecimento penal, oposição a políticas de gênero e revisão de compromissos ambientais.
A campanha de 2018 expôs a intensidade desse novo ambiente político. O atentado à faca sofrido por Bolsonaro em Juiz de Fora, em 6 de setembro daquele ano, alterou a dinâmica da disputa e reduziu sua participação em debates e agendas públicas.
A estratégia eleitoral passou a se concentrar com ainda mais força nas redes sociais, espaço em que o candidato mantinha comunicação direta com seus apoiadores.
No segundo turno, Bolsonaro derrotou Fernando Haddad, candidato do PT, com 55,13% dos votos válidos. Lula da Silva, que liderava as pesquisas antes da campanha, estava preso e inelegível pela Lei da Ficha Limpa.
O governo Bolsonaro, primeiro comandado por um presidente com origem militar desde a redemocratização, foi marcado por tensões institucionais, crises sanitárias e disputas em torno do papel do Estado. Na economia, sob a gestão de Paulo Guedes, o governo defendeu uma agenda liberal, com privatizações e reformas.
A pandemia de covid-19, porém, aprofundou dificuldades sociais e econômicas, com retração do PIB per capita no período e aumento da população abaixo da linha da pobreza ao fim do mandato.

Pandemia da Covid-19
No campo político e social, a gestão Bolsonaro foi caracterizada pela ampliação da presença de militares em cargos civis, por conflitos frequentes com instituições democráticas e por uma postura negacionista durante a pandemia.
A Covid-19 deixou quase 700 mil mortos no país até o fim do mandato, tornando-se um dos principais pontos de desgaste do governo. Bolsonaro também questionou as urnas eletrônicas e, alegando risco de manipulação e fraude, defendeu o uso do voto impresso.
Outro marco do período foi a disseminação massiva de notícias falsas e a reorganização da comunicação política. O debate público migrou dos comícios e da mediação tradicional da imprensa para plataformas digitais, onde mensagens diretas, emocionais e de rápida circulação passaram a influenciar a formação da opinião pública.
Segundo levantamento da Universidade Federal da Bahia (UFBA), ao menos 346 notícias falsas circularam durante o período eleitoral de 2018, com pico de 190 registros apenas em outubro. O WhatsApp consolidou-se como um dos principais meios de disseminação desse conteúdo.
Para o cientista político Rogério Oliveira Araújo, essa mudança alterou profundamente a lógica das campanhas.
“A política hoje de comício, de debate, ela praticamente acabou. Desde a eleição de 2018, quando o Bolsonaro foi eleito sem praticamente participar de nenhum debate, de nenhuma agenda pública, de fato, de embate com os candidatos, a gente vê o quanto o estilo clássico da campanha tem dado espaço hoje para os campos da tecnologia e das redes sociais”, afirma.
Nas eleições de 2022, esse fenômeno atingiu novo patamar ao se voltar contra a credibilidade do próprio sistema eleitoral. Bolsonaro e aliados passaram a questionar reiteradamente a segurança das urnas eletrônicas, alimentando uma narrativa de desconfiança que contribuiu para a radicalização de parte de seus apoiadores.
Em resposta, o TSE ampliou mecanismos de checagem e combate à desinformação, enquanto o debate sobre regulação das plataformas digitais ganhou força no país. As medidas, porém, também intensificaram disputas em torno dos limites entre liberdade de expressão, responsabilidade das plataformas e combate à desinformação.
Em 2022, Bolsonaro enfrentou diretamente o principal adversário político em torno do qual havia construído sua campanha: Lula da Silva. Após ter condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Lula da Silva recuperou os direitos políticos e voltou à disputa presidencial.
A eleição terminou com a vitória do petista no segundo turno, em uma das disputas mais apertadas da história recente do país.
Atos do 8 de janeiro de 2023
Eleito pela terceira vez em 2022, Luiz Inácio Lula da Silva venceu a disputa presidencial com 50,83% dos votos válidos. O resultado marcou o retorno do PT ao Palácio do Planalto após seis anos fora do poder e confirmou a polarização, consolidada a partir de 2018, como um dos eixos centrais da política brasileira.
O terceiro mandato de Lula começou sob forte tensão institucional, especialmente após os atos de 8 de janeiro de 2023. Os desdobramentos jurídicos e políticos daquele episódio mantiveram o país em clima de disputa permanente e aprofundaram o confronto entre governo, oposição e instituições democráticas.
No campo econômico, o governo buscou combinar responsabilidade fiscal com a ampliação de políticas de renda. Entre as principais medidas estiveram a regulamentação da Reforma Tributária e a proposta de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais.
Apesar da melhora de alguns indicadores econômicos, a gestão enfrentou dificuldades para responder a demandas ligadas à segurança pública, apontada por parte do eleitorado como uma das principais preocupações nacionais.
A popularidade presidencial refletiu esse cenário de disputas e desafios. Após enfrentar momentos de desgaste ao longo do mandato, Lula chegou a 2026 em um país ainda dividido entre projetos políticos antagônicos. A eleição presidencial, mais uma vez, se desenha em torno da disputa entre o campo lulista e os herdeiros políticos do bolsonarismo.
Trinta e sete anos depois da primeira eleição direta para presidente após a ditadura militar, o Brasil volta às urnas em um ambiente muito diferente daquele de 1989. A democracia brasileira se tornou mais tecnológica, mais exposta à desinformação e mais atravessada pelas redes sociais, mas continua marcada por lideranças e conflitos que nasceram no período da redemocratização.
Para o cientista político Rogério Oliveira Araújo, a eventual candidatura de Lula da Silva a um quarto mandato carrega um limite que vai além do resultado das urnas. A idade do presidente e a necessidade de renovação interna expõem a dificuldade do PT em projetar uma liderança capaz de dialogar para além da base tradicional da esquerda.
Jair Bolsonaro, por sua vez, está fora da disputa eleitoral, mas o bolsonarismo permanece como força política organizada. A ausência do ex-presidente abre espaço para que outros nomes da direita disputem a herança de seu capital eleitoral. Esse movimento pode marcar o desfecho de duas trajetórias políticas que ganharam força no fim dos anos 1980, quando o país reconstruía sua experiência democrática.
Mais de três décadas depois do movimento Diretas Já, os brasileiros voltam às urnas em uma democracia transformada. A cédula de papel deu lugar à urna eletrônica, os comícios passaram a dividir espaço com as plataformas digitais e a inteligência artificial entrou no centro das preocupações sobre comunicação política, desinformação e integridade eleitoral.
Em outubro, cerca de 150 milhões de eleitores devem ir às urnas carregando diferentes memórias, expectativas e frustrações acumuladas ao longo de 37 anos de democracia. O país que reencontrou o voto direto em 1989 chega a 2026 mais conectado e mais dividido, com instituições testadas por crises sucessivas e uma disputa política ainda marcada pelas cicatrizes da redemocratização.
(Da Agência de Notícias do UniCEUB. Supervisão do professor Vivaldo de Sousa)





















