Maioria do eleitorado, mulheres governam 10,6% da população

Acre governadora Mailza Assis PP Miso Brasil
Mailza Assis, do PP, é a atual governadora do estado do Acre
Compartilhe:

Embora estejam pela primeira vez a frente da chefia do DF e 4 estados, mulheres ainda estão sub representadas no Executivo e no Legislativo

Por: Elpídio Câmara, Maria Paula Valtudes e Pedro Maynardes – DF

Pela primeira vez na história, cinco mulheres comandam unidades federativas (UFs) brasileiras simultaneamente. Somada às populações de cada estado, Raquel Lyra (PSD), Fátima Bezerra (PT), Celina Leão (PP), Hana Ghassan (MDB) e Mailza Assis (PP) governam 10,6% da população brasileira – um número destoante num país onde as mulheres são 52,47% do eleitorado.

O prazo de desincompatibilização eleitoral, encerrado em 4 de abril de 2026, forçou governadores em segundo mandato a deixarem seus cargos para concorrerem a outros mandatos nas eleições de outubro. 

Leia – acompanhe a série especial sobre as eleições de 2026

Devido ao prazo de desincompatibilização, três novas mulheres, eleitas como vice-governadora em 2022,  assumiram o poder executivo:  Hana Ghassan, no Pará; Mailza Assis, no Acre; e Celina Leão, no Distrito Federal.

Somadas às duas que já governavam – Raquel Lyra (PE) e Fátima Bezerra (RN) – o Brasil passa a ter cinco das 27 unidades da federação chefiadas por mulheres.  Esse é o maior número registrado na história do país.

Onde as mulheres governam

Apesar de ser um recorde, para Evelyn Apolinaria, pesquisadora e cientista política, o dado não demonstra, necessariamente, uma melhora na representação política feminina. 

“O número de governadoras em exercício em 2026  é inegavelmente inédito, porém a origem desse recorde é circunstancial e não reflete a expansão da capacidade de representação feminina, mas sim a posição estruturalmente subalterna que as mulheres tendem a ocupar nas chapas”, explica. 

A atribuição da posição de vice, apesar de para muitos parecer uma vitória na posição de lideranças femininas, como descreve Evelyn, vem se tornando uma estratégia de diversos partidos para alcançar votos femininos sem que haja um acesso real aos cargos de liderança. 

“A posição de vice é de dependente, o que reduz a autonomia e a visibilidade política da candidata”.

“Quando essa candidata assume o cargo principal por vacância, ela o faz sem ter passado pelo crivo eleitoral direto, o que limita a sua legitimidade e o seu próprio capital político.”

Embora cinco mulheres estejam à frente de executivos estaduais, o total de pessoas  governadas por elas corresponde a 10,6% da população brasileira, estimada pelo IBGE em 213 milhões no final de 2025. 

Professora do Centro Universitário de Brasília (Ceub), Evelyn aponta que barreiras na competição partidária e baixo interesse no financiamento das candidaturas femininas por parte dos partidos contribuem para esse fenômeno. 

“Existem relatos de lideranças, assim como levantamentos sobre desempenho eleitoral, que indicam dificuldades de acesso a financiamento de campanha, menor apoio dentro das estruturas partidárias e critérios de viabilidade que tendem a favorecer candidaturas masculinas.”

Bancada feminina Congresso Misto Brasília
Diversos projetos sobre as mulheres devem ser discutidos e votados no Congresso Nacional/Arquivo

Impacto nacional

Evelyn explica que a “ a sub-representação feminina na política brasileira é um fenômeno multicausal, que combina fatores estruturais, culturais e institucionais”

Institucionalmente, ela é explicitada na liderança dos próprios partidos políticos. Dos 30 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), somente 3 possuem mulheres no cargo de Presidência Nacional: PSol, Podemos e PCdoB.

No eleitorado brasileiro, porém, as mulheres representam 52,47%, segundo os dados mais recentes do TSE.  É com base nesses dados que pesquisadores indicam que há uma sub-representação feminina na política brasileira. 

Enfrentamento à sub-representação

Em março de 2026, o TSE aprovou novas resoluções que trazem como regra a prerrogativa que permite às candidatas o uso de recursos do Fundo Eleitoral para a contratação de segurança privada durante o período de campanha caso comprovem terem sofrido ameaças ou risco de violência.

“Trata-se de um avanço pontual, mas que precisa ser acompanhado de uma cultura institucional nos partidos de compartilhamento de espaço com as mulheres”, diz a pesquisadora.

A legislação eleitoral prevê também uma representação feminina mínima de 30% para candidaturas.

Contudo, como documentado pelo TSE Mulheres, entre 2016 e 2022, os partidos mantiveram candidaturas femininas em cerca de 33% e nenhum ciclo mostrou tendência de superar voluntariamente esse percentual. 

Sobre essa lei, Evelyn destaca que a cota por si só “é insuficiente se não vier acompanhada de fiscalização e de mecanismos de enforcement que garantam que os recursos financeiros de campanha cheguem de fato às candidatas”.

Segundo ela, são necessárias medidas adicionais que vão além apenas do ciclo eleitoral.

“O enfrentamento da sub-representação feminina exige mudanças que transcendem o ciclo eleitoral e deve incluir a educação política, a desconstrução de estereótipos de gênero nos meios de comunicação e nas escolas, e a paridade efetiva nas instâncias dirigentes dos próprios partidos”.

(Da Agência de Notícias do CEUB com supervisão de Vivaldo de Sousa)

Assuntos Relacionados

Siga o Misto Brasil

Acompanhe em todas as redes

Notícias, vídeos e destaques em tempo real. Escolha sua rede favorita.

Dica: acompanhe também pelo WhatsApp para receber atualizações rápidas.

Brasília e Entorno do DF

Oportunidades

Newsletter

Receba os destaques da semana

Uma seleção objetiva dos principais acontecimentos, com leitura rápida e sem ruído.

📰 Resumo editorial
Leitura rápida
🔒 Sem spam
QR Code para acessar a newsletter do Misto Brasil
Aponte a câmera e assine pelo celular

Você pode cancelar quando quiser.