Atualmente, a recém-criada estatal Alada negocia cerca de 20 contratos com empresas das Américas, Europa, Ásia e Oceania
Por Misto Brasil – DF
Com a escassez global de bases de lançamento e o mercado aeroespacial inflado por gigantes como SpaceX e Blue Origin, o Centro Espacial de Alcântara (CEA), no Maranhão, tornou-se o principal trunfo do governo brasileiro para abocanhar uma fatia de um setor que movimenta bilhões de dólares.
Atualmente, a recém-criada estatal Alada negocia cerca de 20 contratos com empresas das Américas, Europa, Ásia e Oceania. A meta é realizar ao menos um lançamento ainda este ano para consolidar o país na rota comercial do espaço.
A virada de chave para tirar a base maranhense do ostracismo ganhou força no último dia 22 de junho, quando a Agência Espacial Brasileira (AEB) autorizou a sul-coreana Innospace a realizar um lançamento no local.
A multinacional é especializada em veículos lançadores de pequenos satélites voltados para telecomunicações, meteorologia e defesa, e sua operação servirá de vitrine tecnológica para o mercado internacional.
Até mesmo a SpaceX, de Elon Musk, monitora o cenário e busca novos centros espaciais pelo mundo para expandir suas atividades — um páreo em que o Brasil, segundo especialistas, entra com fortes condições de competitividade, conforme o Times Brasil.
“Estamos interagindo com cerca de 20 empresas de vários continentes, algumas já em estado mais avançado de negociação“, revela Paulo Ricardo da Silva Mendes, diretor de projetos e negócios da Alada.
O papel da estatal Alada e o trunfo de Alcântara
Criada em 2024, a Empresa de Projetos Aeroespaciais (Alada) nasceu justamente com a missão de prospectar clientes e desburocratizar as autorizações com órgãos públicos.
Todo o faturamento gerado pelos aluguéis da base será revertido em melhorias na própria infraestrutura local.
O interesse global se justifica por um gargalo logístico: faltam centros espaciais disponíveis no planeta para atender à explosão da demanda privada. Nesse cenário, o Brasil correu para pavimentar o caminho jurídico e técnico.
A base para a atual ofensiva comercial foi consolidada em 2019 com o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas firmado com os Estados Unidos.
O tratado protege a propriedade intelectual norte-americana, um passo considerado vital, já que aproximadamente 80% das tecnologias empregadas nos foguetes e satélites globais são de origem americana.














