O que explica a atual situação do futebol brasileiro? Uma mistura de erros, a começar pelo confuso calendário dos campeonados locais
Por André César – SP
Quem observa o futebol não se surpreendeu com a eliminação da seleção brasileira nas oitavas de final do torneio. O time jamais empolgou e, mais ainda, o resultado apenas refletiu a atual realidade da cena brasileira.
Aos fatos. A Noruega de Haaland e companhia não tomou conhecimento do escrete brasileiro. Em um raro momento de inspiração, o time de Carlo Ancelotti desperdiçou um pênalti. O resto foi o que se viu. Vitória maiúscula dos vikings.
Leia – acompanhe o especial sobre a Copa do Mundo 2026
Leia – Copa do Mundo: veja os próximos jogos do mata-mata
Leia – Cartão vermelho para as relações políticas da Fifa
O que explica a atual situação do futebol brasileiro? Uma mistura de erros, a começar pelo confuso calendário local. Bons jogadores (ou nem tanto), tão logo surgem, são vendidos para clubes do exterior – ligas secundárias da Europa e da Ásia ou agremiações menores dos principais campeonatos.
Para cada Vini Júnior existem dezenas de brasileiros perdidos pelo mundo.
Os cartolas também são um problema sério. Volta e meia pipocam escândalos, o que acaba por afastar o torcedor de seu time do coração. Não por acaso, as audiências de televisão e internet aumentam com jogos dos campeonatos europeus.
O futebol raiz brasileiro perde valor de face.
A última vitória brasileira em mata-mata contra uma seleção europeia ocorreu no longínquo 2002, ano do pentacampeonato. Outros tempos, outros valores. Voltaremos aos momentos de glória?
Em 2006, eliminados pela França nas quartas de final; em 2010, Holanda também nas quartas; 2014 registra a tragédia do 7 a 1 para a Alemanha; 2018, derrota nas quartas para a Bélgica; 2022, fracasso diante da Croácia; por fim, o furacão norueguês nas oitavas de final. Tempos melancólicos.
Enfim, a camisa canarinho perdeu o peso. Nas palavras de dois amigos (Paulo Burian e Manoel Oliveira), vivemos um processo de “uruguaização” de nosso futebol. A História empalideceu, para a tristeza da nação. Pátria de chuteiras?

















