Copa do Mundo: a mística canarinho em xeque

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Ancelotti ajuda Vini JJúnior a se levantar após jogo com a Noruega/Fifa
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O que explica a atual situação do futebol brasileiro? Uma mistura de erros, a começar pelo confuso calendário dos campeonados locais

Por André César – SP

Quem observa o futebol não se surpreendeu com a eliminação da seleção brasileira nas oitavas de final do torneio. O time jamais empolgou e, mais ainda, o resultado apenas refletiu a atual realidade da cena brasileira.

Aos fatos. A Noruega de Haaland e companhia não tomou conhecimento do escrete brasileiro. Em um raro momento de inspiração, o time de Carlo Ancelotti desperdiçou um pênalti. O resto foi o que se viu. Vitória maiúscula dos vikings.

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O que explica a atual situação do futebol brasileiro? Uma mistura de erros, a começar pelo confuso calendário local. Bons jogadores (ou nem tanto), tão logo surgem, são vendidos para clubes do exterior – ligas secundárias da Europa e da Ásia ou agremiações menores dos principais campeonatos.

Para cada Vini Júnior existem dezenas de brasileiros perdidos pelo mundo.

Os cartolas também são um problema sério. Volta e meia pipocam escândalos, o que acaba por afastar o torcedor de seu time do coração. Não por acaso, as audiências de televisão e internet aumentam com jogos dos campeonatos europeus.

O futebol raiz brasileiro perde valor de face.

A última vitória brasileira em mata-mata contra uma seleção europeia ocorreu no longínquo 2002, ano do pentacampeonato. Outros tempos, outros valores. Voltaremos aos momentos de glória?

Em 2006, eliminados pela França nas quartas de final; em 2010, Holanda também nas quartas; 2014 registra a tragédia do 7 a 1 para a Alemanha; 2018, derrota nas quartas para a Bélgica; 2022, fracasso diante da Croácia; por fim, o furacão norueguês nas oitavas de final. Tempos melancólicos.

Enfim, a camisa canarinho perdeu o peso. Nas palavras de dois amigos (Paulo Burian e Manoel Oliveira), vivemos um processo de “uruguaização” de nosso futebol. A História empalideceu, para a tristeza da nação. Pátria de chuteiras?

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