Alta do ouro e estabilidade do dólar refletem tensões externas

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O metal tem se apresentado como um investimento seguro em meio a atribulações/Arquivo
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Paralelamente, o dólar comercial demonstrou estabilidade, indicando resiliência do cenário econômico brasileiro

Por Misto Brasil – DF

A cotação do ouro futuro registrou alta nesta quinta-feira (09), negociada próxima a US$ 4.115 por onça — uma valorização de cerca de 0,8%.

O movimento reflete a busca de investidores por ativos de proteção diante do aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e da alta nos preços do petróleo.

Paralelamente, o dólar comercial demonstrou estabilidade, indicando resiliência do cenário econômico brasileiro frente à volatilidade externa.

Ouro avança sob impacto geopolítico e pressão do Federal Reserve

De acordo com o especialista da corretora Ourominas, Mauriciano Cavalcante, o ouro abriu a sessão a US$ 4.086,60, oscilando entre a mínima de US$ 4.063,40 e a máxima de US$ 4.129,32.

Ele avalia que o avanço atual configura uma recomposição após perdas recentes, e não uma mudança estrutural de tendência.

O analista aponta dois fatores centrais para o comportamento do metal:

  • Prêmio geopolítico: Os conflitos no Oriente Médio e a alta do petróleo elevam o risco inflacionário global, sustentando a busca por segurança.

  • Trava dos juros americanos: O temor de que a inflação force o Federal Reserve (Fed) a manter as taxas de juros elevadas por mais tempo limita o fôlego de valorização do ouro. Para uma alta consistente, o mercado depende da queda dos juros reais nos Estados Unidos ou de um agravamento da crise internacional.

Dólar mantém estabilidade com sustentação de fundamentos domésticos

Por outro lado, o mercado de câmbio sinaliza que o cenário doméstico tem atuado como amortecedor dos choques externos.

Jaqueline Neo, especialista em câmbio e crédito da be.smart, destaca que a estabilidade da moeda norte-americana contraria a tendência tradicional de migração em massa para o dólar em momentos de aversão ao risco global.

A especialista elenca os motivos para a resiliência do real:

  • Diferencial de juros: A taxa Selic em patamar atrativo atrai capital estrangeiro e sustenta o fluxo favorável para o mercado emergente nacional.

  • Foco nos fundamentos: Investidores têm atribuído peso maior aos indicadores econômicos do Brasil do que aos ruídos internacionais imediatos.

Neo ressalta, contudo, que o preço do petróleo segue como variável crítica. Caso o conflito internacional pressione a inflação global e altere as projeções de juros do Fed, há potencial para o fortalecimento do dólar nas próximas semanas.

 

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