O comunicado chamou atenção pelo tom mais cauteloso em relação à inflação, indicando que a autoridade monetária deve seguir vigilante
Por Misto Brasil – DF
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (5) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, em decisão unânime amplamente esperada pelo mercado.
Apesar do corte, o comunicado chamou atenção pelo tom mais cauteloso em relação à inflação, indicando que a autoridade monetária deve seguir vigilante diante dos riscos internos e externos antes de promover novos afrouxamentos na política monetária.
Repercussão no mercado
Augusto Parente, especialista em investimentos e sócio da AW Capital – “O tom do comunicado veio cauteloso, chamando atenção para os choques inflacionários com a alta do petróleo e efeitos climáticos que impactam o custo de energia. Acredito que a decisão de queda de juros foi acertada, visto que apesar de um tom cauteloso, seguimos com o juro real elevado e temos também alguns pontos positivos com relação a pressão inflacionária, como por exemplo, o preço das commodities mais baixo e uma desaceleração da atividade econômica maior do que a projetada pelo banco central”.
Luiz Otávio Leal, economista da G5 Partners – “Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura”.
Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV – “No cenário de referência, que considera a expectativa de mercado de 13,75% para a Selic ao final deste ano, o BC projeta a inflação em 3,2% no 1T28. Caso o cenário evolua dentro do esperado até a próxima decisão no dia 16 de setembro, o comitê deve optar por mais um ajuste na taxa básica”.
Augusto Parente, especialista em investimentos e sócio da AW Capital – “Entendo que não há grande diferença entre os comunicados de junho e de agosto, entretanto, o Copom decide por cortar os juros já que este movimento não vai impactar a convergência da inflação para a meta do longo prazo”.
Marcos Freitas, analista macroeconômico da AF Invest – O comunicado também manteve o mesmo balanço de riscos, com assimetria altista. Talvez tenha havido um aumento na percepção de preocupação com a desancoragem das expectativas de inflação, um dos fatores que pioraram entre as reuniões. Além disso, o Banco Central seguiu destacando o cenário externo como bastante incerto, em função da política monetária e do conflito no Oriente Médio”.
Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg – “Olhando mais adiante, novos cortes dependerão essencialmente da evolução do mercado de trabalho e das expectativas de inflação nos próximos meses, com destaque para as projeções de 2028. Nosso cenário contempla a Selic encerrando o ano em 13,75% a.a. (Set26 marcaria, portanto, o último movimento do ciclo de calibração) e novos cortes apenas no 1T27”.
José Áureo, sócio e assessor da Blue3 Investimentos – “Para setembro, o cenário permanece aberto e condicionado aos próximos dados. Novas leituras favoráveis de inflação, atividade e câmbio podem permitir outro corte de 0,25 ponto, mas o comunicado não indica um ciclo longo ou acelerado. A tendência permanece de decisões graduais e avaliadas reunião a reunião”.
Rafael Cardoso, economista-chefe do banco Daycoval – “As justificativas são várias para deixar essa opcionalidade na mesa. No entanto, ao olhar para a próxima reunião — e isso já estava presente na comunicação anterior —, o que se pode dizer atualmente é que a probabilidade de queda em setembro existe, mas é substancialmente menor do que aquela observada em agosto”.


















