Enquanto os dois principais candidatos medem forças tendo os EUA como centro de gravidade, outros atores, como a China, observam, preocupados.
Por Marcelo Rech – DF
Em outubro, cerca de 160 milhões de brasileiros irão escolher o presidente que governará o país entre 2027 e 2030.
A exemplo do que tivemos em 2022, a disputa entre as forças de esquerda e de direita promete ser acirrada, mas agora, há muito mais fatores externos envolvidos, especialmente por parte dos EUA, que não escondem o desejo de ver o Brasil de volta à sua área de influência.
Poucas vezes na história do país, a política externa teve tanta importância como neste processo. De um lado, um discurso em defesa da soberania tenta alavancar a candidatura do atual presidente que busca um 4º mandato.
De outro, o aprofundamento das relações do Brasil com os EUA e Israel, priorizadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Enquanto os dois principais candidatos medem forças tendo os EUA como centro de gravidade, outros atores, como a China, observam, preocupados, o possível desfecho do processo eleitoral brasileiro. Há muito em jogo e o Brasil é a joia da Coroa em uma região que dá claros sinais de girar à direita, mais uma vez.
De acordo com as pesquisas mais recentes, a diferença entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro fica dentro da margem de erro, o que supõe uma eleição a ser decidida em segundo turno no final de outubro.
Ainda assim, o eleito não deverá ganhar por margem maior que um ponto percentual, caso a tendência das pesquisas se mantenha. A alta taxa de rejeição, na casa dos 50% de ambos os candidatos tornam a disputa ainda mais imprevisível.
Os dois candidatos mantêm o foco no público interno e não poderia ser diferente. São os brasileiros os que decidirão a eleição. Aos atores externos interessadíssimos no resultado, restaria apenas esperar e torcer, mas não é o que vemos na prática. Ações sutis tentam desequilibrar a balança.
Para o atual governo, a política dos EUA de aplicar tarifas adicionais aos produtos brasileiros não tem outra intenção que não a de prejudicar Lula e beneficiar Flávio.
É importante destacar que as ingerências externas em eleições mundo afora, seguem tão intensas quanto à época da Guerra Fria quando o mundo se dividia em dois polos.
No entanto, já não se derruba presidente com golpe de Estado clássico, mas com desinformação e asfixia econômica, entre tantas outras ferramentas tecnológicas avançadas.
No caso das tarifas, os EUA acusam o Brasil de adotar uma “abordagem desonesta” nas negociações, indicando que Lula busca, de fato, que elas se mantenham para poder usá-las em seu discurso em defesa da soberania.
Flávio Bolsonaro endossa a retórica de Washington ao enfatizar que o governo brasileiro não negociar de forma séria.
Diante deste cenário, os eleitores irão às urnas não apenas para escolher quem terá condições de, efetivamente, melhorar a infraestrutura do país, os serviços públicos de saúde e educação e de combater a criminalidade organizada.
Vamos às urnas também para mandar um recado àqueles que, do exterior, estão de olho em nossas terras raras, minérios estratégicos, água doce e uma biodiversidade ímpar.
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