O fato de redes sociais e plataformas de vídeo liderarem o acesso global a notícias reflete uma competição permanente pela atenção.
Por Misto Brasil – DF
Mais do que apontar mudanças no consumo de informação, os dados do Digital News Report 2026 exigem uma reestruturação na formação e na atuação dos profissionais de comunicação, analisa Luís Mauro Sá Martino, doutor em Ciências Sociais e professor da Fapcom.
Para o especialista, o fato de redes sociais e plataformas de vídeo liderarem o acesso global a notícias reflete uma competição permanente pela atenção, que exige novos critérios analíticos de quem produz e de quem consome.
Desafio da atenção: A concorrência contínua nas plataformas digitais alterou a relação do público com o conhecimento, exigindo capacidade de atrair sem perder o rigor informativo.
Formatos curtos como porta de entrada: Vídeos rápidos cumprem o papel de despertar interesse e introduzir temas, mas não devem se tornar a única fonte sobre pautas complexas.
Riscos da fragmentação: O gargalo da comunicação atual está na digestão exclusiva de fatos picotados, o que compromete o contexto, a reflexão e o tempo necessários para a compreensão.
Consumo multiplataforma na prática: Estímulos rápidos afetam desde a infância até a vida adulta, impondo à educação e ao jornalismo o dever de dialogar com esses hábitos sem simplificar em excesso.
Responsabilidade na formação: O ensino superior em comunicação precisa capacitar futuros jornalistas, publicitários e criadores a equilibrar objetividade, clareza e profundidade.
Letramento mediático do público: A construção de uma sociedade bem informada depende também de leitores e espectadores dispostos a dedicar tempo para aprofundar assuntos de impacto coletivo.
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