Arruda tenta reverter o quadro, alegando que sua inelegibilidade teria se encerrado em julho de 2026. “Vou às últimas consequências”.
Por Misto Brasil – DF
Mais de 1.500 candidaturas foram barradas pela Justiça Eleitoral até a noite de sexta-feira (18), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Mais de 90% foram indeferidas por questões burocráticas (falta de documentação, problemas de filiação e domicílio, pendências eleitorais etc.).
E há 108 candidaturas que foram barradas por inelegibilidade infraconstitucional, na qual se enquadra a lei da Ficha Limpa, que impede que condenados em decisões colegiadas pela Justiça possam se candidatar por um prazo de oito a doze anos.
E entre essa centena de candidatos barrados estão alguns antigos protagonistas de escândalos nas últimas duas décadas. Outrora influentes, eles pretendiam voltar a disputar mandatos em 2026. Entre eles estão o ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha e os ex-governadores José Roberto Arruda e Anthony Garotinho.
A lista é engrossada por políticos com influência regional, entre eles dois ex-governadores de Rondônia e do Acre, um ex-candidato presidencial e a filha do ex-deputado Roberto Jefferson.
Eduardo Cunha
Articulador original do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-deputado Eduardo Cunha teve sua candidatura à Câmara dos Deputados barrada neste mês, exatamente uma década depois da sua cassação.
Após deixar a Câmara, o político carioca acumulou condenações por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O ex-deputado passou quase três anos e meio detido em regime fechado. A partir de 2021, com o fim da Lava Jato e a anulação de processos da operação, Cunha teve uma última ordem de prisão domiciliar revogada, e ficou livre.
Solto, conseguiu em 2022 uma liminar que suspendeu temporariamente sua inelegibilidade. Apesar de ter construído seu poder político no Rio de Janeiro, desta vez registrou candidatura no estado de São Paulo. A inelegibilidade voltou a ser imposta pouco depois, mas Cunha ainda assim conseguiu assegurar que seu número permanecesse nas urnas.
No entanto, fracassou nas urnas, recebendo apenas 5 mil votos. Mas foi bem-sucedido em eleger a filha, Dani Cunha (PL), como deputada federal pelo Rio.
Após o fracasso em São Paulo, Cunha se voltou para Minas Gerais, filiando-se ao partido Republicanos. No final de 2024, passou a construir metodicamente uma rede de influência regional baseada no cultivo do eleitorado evangélico.
Mas o ex-deputado ainda enfrenta as consequências da cassação pela Câmara em 2016. Embora tenham se passado mais de oito anos após a cassação, a punição de Cunha passou a contar a partir daquele que teria sido o último dia remanescente de mandato, 31 de janeiro de 2019. Ou seja, sua inelegibilidade deve durar até fevereiro de 2027.
No início de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) decidiu barrar a candidatura de Cunha. Ele ainda pode recorrer ao TSE.
Na semana passada, após o indeferimento do TRE-MG, Cunha insistiu que ainda se considera apto a concorrer. “A campanha segue firme, não tem qualquer problema com a continuidade”, disse.
José Roberto Arruda
Ex-deputado, ex-senador e ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PSD), de 72 anos, teve a candidatura barrada pelo TRE-DF no início deste mês. O Tribunal entendeu que Arruda, pivô de um escândalo de corrupção no DF no fim dos anos 2000, está inelegível até 2030 com base na Lei da Ficha Limpa.
Arruda tenta reverter o quadro, alegando que sua inelegibilidade teria se encerrado em julho de 2026. “Vou às últimas consequências”, declarou Arruda após ter a candidatura barrada.
O ex-governador acumula sete condenações, todas por improbidade administrativa.
Em 2009, José Roberto Arruda, então filiado ao DEM e governador do Distrito Federal, protagonizou um escândalo de pagamento de propinas.
Um dos pontos altos do escândalo foi a exibição de um vídeo que mostrava Arruda recebendo um maço de R$ 50 milde um ex-secretário do seu governo. As imagens haviam sido gravadas em 2006, quando Arruda ainda era candidato. Segundo as investigações, Arruda comandava um esquema que captava dinheiro ilegal de empresas. Os recursos eram então distribuídos para vários membros do governo.
O então governador tentou argumentar que os 50 mil que apareciam no vídeo eram uma doação que seria usada na compra de panetones para pessoas carentes.
Arruda acabou sendo preso no início de 2010. Perdeu o cargo semanas depois. Nos anos seguintes, sem poder disputar cargos, Arruda lançou a então mulher, Flávia, para uma vaga na Câmara. Em 2018, ela foi a deputada federal mais votada do DF. Em 2022, ela se separou de Arruda.
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