Nas urnas, o resultado contrastou com as pesquisas, mostrando que a intenção de voto de Jair Bolsonaro havia sido subestimada.
Por Misto Brasil – DF
A pesquisa Datafolha mais recente, divulgada em 24 de setembro, apontou que o presidente Lula da Silva (PT) tem 40% dos votos totais na disputa ao Planalto, apenas quatro pontos à frente de Flávio Bolsonaro (PL), que conta com 36%.
Nos votos válidos, que excluem brancos e nulos, Lula tem 43%, contra 39% de Flávio.
Para Lula, é um cenário praticamente igual aos apontados em pesquisas do Datafolha desde o primeiro semestre. Em março, o petista tinha 38% dos votos totais, por exemplo. Já Flávio, que apareceu pela primeira vez no levantamento daquele mês, oscilou em diversos momentos, de 31% para 36%, mas sem nunca ultrapassar o presidente.
De lá para cá, a estabilidade foi a principal marca da disputa de 2026, com o cenário sofrendo poucas mudanças.
Apesar de uma série de escândalos e crises políticas que marcaram a campanha, não houve movimentos significativos no eleitorado ou a ascensão de um terceiro candidato duradouro capaz de embaralhar a corrida.
A dinâmica guarda semelhanças com o pleito de 2022, também marcado por estabilidade nos meses que antecederam o primeiro turno.
À época, Lula da Silva e Jair Bolsonaro, pai de Flávio, dominaram o topo das pesquisas ao longo do ano, sufocando outros candidatos. Apenas as porcentagens de Jair Bolsonaro sofreram oscilações dignas de nota.
Em contraste, algumas eleições, com as de 2002, 2010, 2014 e 2018, foram marcadas por disputas mais dinâmicas pela primeira ou segunda colocação, seja nos meses que antecederam o primeiro turno ou até na reta final.
No entanto, mesmo em relação a 2022, algumas diferenças se destacam no pleito atual.
Há quatro anos, Lula da Silva aparecia com mais de dez pontos de vantagem sobre Jair na reta final, e entre os apoiadores do presidente havia expectativa de que a eleição fosse decidida ainda no primeiro turno.
Mas o resultado nas urnas acabou se revelando uma surpresa: pesquisas pareceram subestimar a intenção de votos de Jair Bolsonaro, que acabou mostrando mais força na reta final da primeira rodada.
Veja como estava o quadro eleitoral a poucos dias do primeiro turno das eleições entre 2002 e 2022:
Mas 1° turno se revelou mais apertado
Datafolha (29/09/2022)
- Luiz Inácio Lula da Silva: 47%
- Jair Bolsonaro: 34%
- Ciro Gomes: 6%
- Simone Tebet: 5%
A surpresa entre pesquisa e as urnas
A menos de uma semana do primeiro turno da eleição presidencial de 2018, Lula da Silva aparecia com uma confortável vantagem de 13 pontos sobre seu principal adversário, o então presidente Jair Bolsonaro (PL).
À época, com essa vantagem no limiar de uma vitória, Lula da Silva tentava liquidar a eleição já na primeira rodada.
No cálculo dos votos válidos, que excluem os nulos, em branco e os eleitores indecisos, o petista tinha 50% das intenções, de acordo com o Datafolha. Em busca da reeleição, Bolsonaro tinha 36%.
Nos dias anteriores ao primeiro turno, a campanha petista tinha intensificado sua busca por votos, particularmente de Ciro Gomes, que resistiu a apelos para desistir.
Por meses, o cenário eleitoral permaneceu estável. Entre maio e a segunda metade de setembro, Lula permaneceu com praticamente o mesmo patamar de intenções de voto, entre 45 e 48%.
Nesses meses, Jair Bolsonaro, que tentou reagir com auxílios bilionários, conseguiu crescer entre 27% e 34%, mas sem ameaçar a liderança de Lula de maneira significativa.
O cenário se repetiu em pesquisa divulgada em 1° de outubro, véspera do primeiro turno, mostrando novamente Lula com 48% e Bolsonaro com 34% dos votos totais.
No entanto, nas urnas, o resultado contrastou com as pesquisas, mostrando que a intenção de voto de Jair Bolsonaro havia sido subestimada.
Lula obteve 48,4% dos votos válidos, contra 43,2% de Bolsonaro. A diferença acabou sendo de apenas cinco pontos percentuais e a decisão foi para o segundo turno.
Nos dias seguintes, reportagens tentaram explicar a disparidade entre as pesquisas e o resultado, apontando fatores como estímulo ao voto útil entre a direita, um “voto envergonhado” não captado por pesquisadores e até impacto de um censo desatualizado.
O Datafolha, por sua vez, creditou a disparidade a uma decisão de última hora de eleitores de Ciro, Simone Tebet e indecisos e aqueles que poderiam votar branco e nulo, que acabaram se voltando para Bolsonaro.
No segundo turno, Lula da Silva acabaria eleito com 50,9% dos votos válidos, contra 49,1% de Jair Bolsonaro, na menor diferença proporcional desde a redemocratização do país. (Texto da DW)
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