É preciso habilidade para manejar a atual administração. São 37 ministros, de partidos com profundas diferenças ideológicas e programáticas
Por André César – DF
“Daqui para frente, a gente vai ser proibido de ter novas ideias, a gente vai ter que cumprir aquilo que a gente já teve capacidade de propor até agora”. A frase do presidente Lula (PT), na abertura da terceira reunião ministerial de seu governo, foi clara – a última palavra sempre será do titular do Planalto.
É preciso habilidade para manejar a atual administração. São 37 ministros, de partidos com profundas diferenças ideológicas e programáticas. Não é fácil ter à mesa, por exemplo, o PSOL de Guilherme Boulos, de um lado, e o União Brasil de ACM Neto de outro. Negociar é para os fortes.
Além disso, Lula precisa trabalhar com egos e projetos pessoais de seus comandados. O sucesso, ao menos temporário, do ministro Fernando Haddad à frente da Fazenda inevitavelmente desperta inveja em seus colegas. Afinal, 2026 está logo ali na esquina.
Mais ainda, existe a pressão de grupos ainda fora do governo que desejam ingressar na tropa. Falamos aqui do PP de Arthur Lira, o poderoso presidente da Câmara dos Deputados, que está de olho no ministério da Saúde, e também do Republicanos de Marcos Pereira, que aos poucos se aproxima da Esplanada.
Desse modo, o presidente da República necessariamente precisa centralizar as decisões do governo. Para o bem e para o mal, não há outro caminho a ser tomado. A Babel ministerial já é uma realidade, é preciso conter seus potenciais danos.
Claro, existem fios desencapados de difícil trato. Exemplo claro é o ministério do Turismo, ainda nas mãos de Daniela Carneiro, a Dani do Waguinho, de saída do União Brasil rumo ao Republicanos. Sua provável demissão terá um custo político e terá sequelas. Coisas da política real.
Centralizar para governar, mesmo que aliados fiquem insatisfeitos com o processo. A Lula, em sua terceira encarnação, não resta outra solução. A manutenção de uma “frente ampla” para tocar o país apresenta seu preço. E ele é elevado.



















