Dolarização na Argentina e as questões sobre sua viabilidade

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Javier Milei é o novo presidente da Argentinos nos próximos quatro anos/Arquivo/Reprodução vídeo
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O mercado se pergunta até que ponto é viável o programa promovido por um governo em clara minoria no Congresso

Por Misto Brasil – DF

A dolarização na Argentina, bandeira do presidente eleito, entra em cena em um período crucial. Agora que a transição com o governo de Alberto Fernández começou, os especialistas levantam questões sobre a sua viabilidade.

“Não é impossível, mas dado o cenário atual seria muito complexo”, disse o economista Federico Zirulnik à Sputnik.

Depois do triunfo de Javier Milei, todos os olhares se voltam para o emblemático slogan em torno do qual o presidente eleito organizou a sua campanha: a dolarização da economia argentina.

Diante de um cenário marcado pela premente escassez de reservas no Banco Central da Argentina, o mercado se pergunta até que ponto é viável o programa promovido por um governo em clara minoria no Congresso.

Embora o líder do La Libertad Avanza (A Liberdade Avança) tenha moderado a pressão pela medida após a vitória nas eleições, referindo-se a um “período de transição” que teria de passar antes de levar a cabo a reforma, a verdade é que o presidente eleito expressou publicamente sua intenção de levar adiante a iniciativa tomando como referência a proposta do economista Emilio Ocampo, a quem nomearia presidente do Banco Central, conforme anunciado publicamente.

País precisaria de R$ 143,2 bilhões para uma primeira etapa

Em seu livro “Dolarização, uma solução para a Argentina“, Ocampo propõe o programa de substituição do peso pela moeda norte-americana, em linha com a experiência do Equador.

A primeira coisa seria enfrentar o “problema das Leliqs” (Cartas de Liquidez), instrumentos de dívida do Banco Central com bancos privados cujo objetivo é absorver os pesos excedentes da economia.

Segundo cálculos do autor, o país precisaria de cerca de US$ 30 bilhões (aproximadamente R$ 143,2 bilhões) para resgatar todo o estoque de Leliqs.

O número monumental se insere em um cenário em que os cofres do Banco Central registram reservas líquidas negativas de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 49,05 bilhões) – devido a compromissos de dívida descontados das reservas brutas.

“Dolarizar não é impossível, mas diante do cenário atual seria muito complexo. Temos reservas negativas, 140 pontos de inflação, déficit e uma situação social sensível. Se o problema for a desordem macroeconômica, a diferença entre as duas instâncias é a chave”, disse o analista.

Consultado pela Sputnik, o economista Santiago Manoukián, da consultoria Ecolatina, alertou que “a dolarização enfrenta inúmeros obstáculos e riscos de curto prazo para sua implementação, além da discussão se é conveniente ou não”.

Para o analista, se forem necessários quase US$ 30 bilhões ao câmbio atual, “já existe uma enorme restrição financeira”. Manoukián destacou a colossal tarefa que seria necessária para especificar o tamanho da dívida.

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