O papel dos árabes para a paz no Oriente Médio

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O Oriente Médio é uma região onde os conflitos ocorrem com muita frequência/Arquivo/Vatican News
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São 22 países que reúnem condições políticas e econômicas para fazê-lo, como a Arábia Saudita e Irã, rivais sunitas e xiitas

Por Marcelo Rech – DF

Há muitos anos que as crises do Oriente Médio vão e voltam sem que haja um mapa do caminho confiável em direção à uma paz sólida e duradoura. Os emissários e mediadores têm sido os mesmos e os avanços, inócuos. Talvez, seja a hora dos países árabes terem um envolvimento maior neste processo.

São 22 países que reúnem condições políticas e econômicas para fazê-lo. Dentre eles, Arábia Saudita e Irã, rivais sunitas e xiitas, com grande influência em toda a região. No entanto, apenas o primeiro tem o desejo de ver as crises do Oriente Médio sanadas. Os sauditas acreditam na solução de dois estados – Israel e Palestina – e na paz regional.

Em 2002, a Arábia Saudita apresentou a Iniciativa de Paz Árabe que propunha o reconhecimento de Israel em troca da retirada dos territórios ocupados e da criação de um Estado Palestino independente. Mais recentemente, o país vinha negociando a normalização de suas relações diplomáticas com Israel na esteira dos Acordos de Abraão, em que Israel assinou tratados de paz com Emirados Árabes Unidos e Bahrein. Egito e Jordânia, também já têm acordos com Israel.

No entanto, o Irã não aceita a solução de dois Estados e prega deliberada e publicamente a destruição de Israel. Para tanto, financia grupos terroristas como o Hamas, o Hezbollah e os Houthis, do Iêmen. Teerã seria, hoje, o principal obstáculo à paz regional.

Outro ator relevante, mas que já não tem credibilidade para atuar na região é a ONU. As Nações Unidas estão cada vez mais perdidas na imensa burocracia que criaram, que é incapaz de prever ou mediar qualquer diálogo no Oriente Médio.

A organização também foi tíbia em sua reação quando provou-se que uma de suas agências para os refugiados, especificamente para os refugiados palestinos, a ACNUR, teve suas estruturas e pessoal envolvidos no ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023.

Diante deste cenário, a Arábia Saudita sobra como o principal ator regional e com alcance global, capaz de encabeçar um esforço pela paz definitiva entre Israel e os árabes.

De cara, Riad reúne condições para arregimentar um conjunto de países na formação de uma coalizão com musculatura diplomática suficiente para exercer pressão em direção à paz.

Esta coalizão reuniria, além da própria Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, Qatar, Egito, Jordânia, Bahrein e Kuwait. Estas são nações com profundos laços com as tradições islâmicas e voltadas à construção de sociedades equilibradas.

É passada a hora de se pensar em um Estado Palestino viável política e economicamente. Por muitas décadas, os grupos terroristas incrustados na Palestina, impediram que esse Estado se tornasse uma realidade.

É surreal a quantidade de dinheiro enviada à Palestina, que poderia ter transformado socialmente a região, mas que foi despejada em túneis e armas para a guerra.

Além disso, o mundo árabe começa a despertar para a covardia do Hamas e seus asseclas, que usam os palestinos como escudo humano.

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