Mercosul cada vez mais distante da agenda global

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Presidentes dos países do Mercosul e o presidente convidado do Panamá/Arquivo/Divulgação
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Bloco é incapaz de superar a polarização, ter um rumo, um caminho. A partir de julho, caberá ao Brasil liderá-lo pelos próximos seis meses

Por Marcelo Rech – DF

Nos dias 2 e 3 de julho, serão realizadas as reuniões de chanceleres e chefes de Estado do Mercosul, em Buenos Aires. A única certeza é que o evento concluirá com a transferência da presidência semestral da Argentina para o Brasil. Em termos objetivos, não se avançará em absolutamente nada.

Com mais de 30 conflitos em curso nos cinco continentes e pelo menos duas guerras abertas, o Mercosul está cada vez mais distante dos principais temas da agenda global. Não bastassem outras preocupações, os desencontros entre os presidentes da região, contribuem significativamente para relegar o Mercosul à irrelevância total.

Some-se a isso, a pressão dos EUA sobre os europeus, obrigando-os a mudarem o curso de suas prioridades. Dito de outra forma, a União Europeia, em conjunto com a Otan, precisa rever todos os seus planos, sejam comerciais e econômicos, até os mais estratégicos.

No âmbito regional, o Mercosul também deixou de ser importante. Para a Argentina de Milei, nunca foi e não será. Para Uruguai e Paraguai, ainda serve, pois ambos se beneficiam de várias de suas regras de correção das assimetrias, mas mesmo assim, os dois desejam maior flexibilidade para avançarem em novos e promissores acordos comerciais.

Dentre os quatro países fundadores, o Brasil sobra. Muita retórica, pouco caso e nenhuma efetividade. O Brasil atual abandonou a agenda de modernização do bloco por razões ideológicas e não apresentou nenhuma alternativa que o tornasse minimamente atrativo.

Com 35 anos, o Mercosul é um adulto feito que ainda não saiu da casa dos pais. Um perfil difícil de ser vendido. Complicado encontrar alguém verdadeiramente interessado. Se parece muito àquela promessa do futebol que despontou ainda adolescente, mas que nunca vingou e a carreira já era.

Embora rejeitem esse papel, Argentina e Brasil têm de chamar para si a responsabilidade de reinventar o Mercosul, devolvê-lo às suas características iniciais e aos fundamentos que deram origem ao projeto. Do ponto de vista político, o Mercosul contribuiu decisivamente para pôr fim às rivalidades e hostilidades entre os países do Cone Sul.

Hoje, o bloco é incapaz de superar a polarização, ter um rumo, um caminho. A partir de julho, caberá ao Brasil liderá-lo pelos próximos seis meses. No entanto, dificilmente, algo novo surgirá, sobretudo, com uma eleição geral no horizonte.

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