China faz acordos com emissoras de jornalismo

Sede da EBC
A EBC é uma empresa que controla as atividades operacionais de vários veículos de comunicação estatal/Arquivo/Agência Brasil
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As parcerias começaram a ser estabelecidas em 2019, após fracasso em termos de audiência para veicular o conteúdo de emissoras chinesas

Por Misto Brasil – DF

China vem apostando em acordos com emissoras de jornalismo da América Latina para difundir suas narrativas prioritárias na região.

A estratégia envolve a veiculação de programas criados em parceria com a mídia estatal chinesa, que apresentam o país como um aparceiro poderoso e confiável, comprometido com a prosperidade comum e a proteção do meio ambiente.

As parcerias começaram a ser estabelecidas em 2019, após o sucesso limitado em termos de audiência dos esforços para veicular o conteúdo de emissoras chinesas por canais próprios – como a China Global Television Network (CGTN) Español.

Em vez de “construir seu próprio microfone”, Pequim decidiu então “pegar microfones emprestados” fazendo parcerias com veículos locais, que conhecem melhor a audiência e podem transmitir as mensagens de forma mais eficaz.

Essas conclusões estão em pesquisa publicada em janeiro, realizada por acadêmicos de Brasil, Chile e Argentina, conforme a Agência DW.

O levantamento analisou as parcerias de Pequim com quatro empresas de mídia da América Latina: BandNews TV (Brasil), Radio Cooperativa (Chile), Telesur (Venezuela) e Télam (Argentina).

Os pesquisadores examinaram o conteúdo de 21 episódios de programas transmitidos de 2019 a 2023, e concluíram que eles foram elaborados para “construir uma narrativa positiva” sobre a presença da China na região, cada vez mais dependente do comércio com o país asiático, e ampliar o soft power de Pequim.

Outros países também financiam emissoras internacionais que transmitem conteúdo na América Latina em idiomas locais e por meio de parcerias, como Reino Unido, com a BBC; Alemanha, com a DW; e Rússia, com a RT.

Mas há diferenças: BBC e DW são emissoras públicas, com independência editorial e liberdade para veicular reportagens críticas sobre os respectivos governos, enquanto RT e CGTN são emissoras estatais, controladas por Moscou e Pequim e com conteúdo alinhado aos interesses de seus líderes políticos.

Na terça-feira da semana passada, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) anunciou que também havia fechado uma “parceria ampla” com o China Media Group (CMG), conglomerado que reúne emissoras estatais do país asiático.

O acordo foi assinado pelo diretor-presidente da EBC, Andre Basbaum, e o presidente do China Media Group (CMG), Shen Haixiong – que também é vice-diretor do Departamento de Propaganda do Partido Comunista Chinês.

Segundo a EBC, a iniciativa prevê cooperação na área de jornalismo, coprodução de documentários e o envio de um profissional da Agência Brasil para atuar como correspondente na China em parceria com o CMG.

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