Itens como camisetas, artigos esportivos, bebidas, petiscos, churrasco e cerveja estão entre os mais desejados
Por Misto Brasil – DF
A Copa do Mundo costuma ser vista como uma oportunidade para o varejo brasileiro, mas, para o setor de moda, o torneio traz um efeito: a redução do fluxo de consumidores nas lojas físicas justamente em um dos períodos mais estratégicos do ano.
Dados compartilhados pela IEMI – Inteligência de Mercado, empresa especializada em pesquisas de mercado e assessoria empresarial, mostram que o mercado de artigos esportivos movimentou R$ 61,4 bilhões em 2025, dos quais cerca de R$ 20,5 bilhões vieram de produtos ligados ao futebol.
O segmento inclui camisas, chuteiras, agasalhos e acessórios esportivos, escreveu Maria Luíza Dourado, do InfoMoney.
Segundo Marcelo Prado, diretor do IEMI, a Copa produz um “efeito duplo” no consumo. Enquanto categorias ligadas ao futebol ganham força, parte do varejo tradicional de moda sofre com a queda de circulação nas lojas físicas.
“Quem apela para as cores da seleção acaba tendo impacto positivo”, afirmou Prado em entrevista ao InfoMoney. O desempenho da seleção brasileira também influencia diretamente as vendas. Se o Brasil avança na competição, cresce o engajamento dos consumidores e aumenta a demanda por camisas, agasalhos e peças inspiradas no universo do futebol.
Dados do Índice do Varejo Stone (IVS) mostram que o segmento de tecidos, vestuário e calçados cresceu 1,3% em abril na comparação anual, em um movimento que, segundo a própria Stone, já pode refletir os efeitos iniciais da Copa do Mundo sobre o consumo.
Segundo Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, parte desse avanço está ligada ao aumento das vendas de produtos associados ao torneio, como camisas de seleções e peças com referências ao futebol.
A expectativa é de que esse efeito se intensifique conforme a competição se aproxima.
O otimismo também aparece em outra frente. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil aponta que cerca de 99,2 milhões de consumidores pretendem fazer compras relacionadas à Copa de 2026.
Segundo o levantamento, 60% dos brasileiros planejam adquirir produtos ou serviços ligados ao torneio.
Entre os produtos mais procurados aparecem bebidas não alcoólicas, petiscos, carnes para churrasco e cerveja. Já no varejo de moda, o uniforme do torcedor segue como prioridade: 61% pretendem comprar camisas oficiais ou temáticas, além de bandeiras e acessórios ligados à seleção.
Mas o cenário muda quando o foco sai do varejo esportivo. “A Copa atrapalha o todo porque ela retira fluxo do varejo de moda”, afirma Prado.
Segundo o executivo, durante os jogos os consumidores deixam de frequentar lojas físicas para acompanhar as partidas, afetando especialmente operações dependentes de circulação espontânea em shopping centers – um movimento que deve se intensificar na Copa de 2026, que terá jogos no fim da tarde e início da noite, retirando frequentadores dos shoppings ou ao menos das lojas.

















