Governo diz que enquadrar PCC como terrorismo é retrocesso

Palácio do Planalto sede do governo federal Misto Brasil
Palácio do Planalto é a sede administrativa do governo federal/Arquivo/Divulgação
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A nota afirma que o Estado brasileiro tem como prioridade enfrentar as organizações criminosas com firmeza

Por Misto Brasil – DF

O governo brasileiro publicou, no início da tarde desta sexta-feira (29), uma nota sobre o enquadramento do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos.

A nota afirma que o Estado brasileiro tem como prioridade enfrentar as organizações criminosas com firmeza, mas classifica a medida americana como um “retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízo econômico ao país”.

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“Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia”, aponta o comunicado.

A nota também afirma que o Brasil apresentou, em abril, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil ao departamento de Estado dos EUA.

O governo ainda critica a viagem do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro à Casa Branca na última terça-feira (26). Na ocasião, o parlamentar afirmou ter solicitado ao presidente norte-americano, Donald Trump, que enquadrasse as facções como organizações terroristas.

“É deplorável que, mais uma vez, integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender a intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no ‘tarifaço’, que causou tantos danos ao nosso país”, apontou o texto governamental.

Mais cedo, o vice-presidente Geraldo Alckmin declarou que Flávio tentou desviar a atenção do escândalo envolvendo o Banco Master – instituição acusada de doar mais de R$ 130 milhões para o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro.

“Infelizmente, membros do clã Bolsonaro pensam mais em si do que no país. Para sair desse tema do Banco Master, o maior caso de corrupção e sonegação de tributos, ficam gerando factoides para desviar a atenção”.

“Isso é ruim para o Brasil, pode ter consequências na área do sistema financeiro e na economia, não vai resolver nada em termos de combate ao crime e pode prejudicar o país”.

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