O projeto de lei parlamentar 459/2017, apresentado pelo senador José Serra (PSDB-SP), e aprovado em dezembro do ano passado pelo Senado Federal, é um “Cavalo de Tróia” que atende aos interesses dos bancos e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O plenário da Câmara dos Deputados está prestes a votar a proposta que na opinião de especialistas, fere toda a legislação financeira e remete o Brasil ao tempo de país colônia.
A ONG Auditoria Cidadã da Dívida afirma com todas as letras, que o projeto de securitização de créditos “visa dar legalidade a uma série de operações e manobras para transferir recursos públicos para bancos privilegiados, além de imensos prejuízos às finanças públicas”.
O primeiro parágrafo do projeto é bem objetivo ao determinar que a União, os municípios , os estados ou o Distrito Federal, podem ceder os diretos originados de crédito tributários e não tributários, inclusive quando inscritos em dívida ativa, a pessoas jurídicas de direito privado ou a “fundos de investimento”. O projeto altera leis de 1964 e de 1966, a que criou o Código Tributário Nacional.
Com o pedido de urgência apresentado pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), logo após a votação no Senado no ano passado, a tramitação nas comissões temáticas simplesmente não aconteceu. O projeto foi para o plenário da Câmara e, se aprovado, segue para a sanção presidencial. A tramitação do pedido ganhou ritmo. Na última terça-feira (20) o requerimento foi aprovado para apreciação da proposição.
“Esse projeto nos remete à condição de colônia, quando os colonizadores se apoderavam da arrecadação de tributos, só que agora o dinheiro vai diretamente para os bancos”, observou um auditor-fiscal da Receita Federal do Brasil. Numa postagem encaminhada a um grupo de auditores, informa-se que a proposta fará com que o orçamento público fique “cada vez mais restrito” devido ao desvio para esse esquema. “Sem orçamento, os serviços públicos estarão ainda mais ameaçados!”
O documento “O que está por trás da securitização de créditos”, publicado em janeiro passado, a Auditoria Cidadã da Dívida, afirma que o PLP 459 “descumpre a Constituição Brasileira e todo o sistema normativo que compõe o arcabouço de proteção para as finanças públicas”.
PARTICIPAÇÃO DO LEITOR
Participe desta discussão
Compartilhe sua opinião sobre este assunto. As participações passam por análise editorial antes de qualquer utilização no site.
























