Designated Survivor à brasileira

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No último capítulo da terceira temporada da série Designated Survivor, há um intenso debate sobre ética na política, apimentado principalmente por uma gravação obtida ilegalmente pela chefe de campanha do candidato à reeleição.

Tom Kirkman, no caso o ministro que acabou presidente dos Estados Unidos por um acontecimento dramático, não sabia das tramoias da coordenadora de campanha (atriz Julie White), mas aos 45 minutos do segundo tempo da corrida presidencial é informado do grampo. Não sabia dos detalhes e tão pouco foi informado como foram feito as gravações, mas a um dia da votação, fechou a boca.

O grampo em questão era do celular do seu principal adversário que contratou e foi financiado por uma supremacia branca que desejava eliminar geneticamente, num futuro próximo, os americanos e imigrantes de pele escura.

Kirkmann, interpretado por Kiefer Sutherland, vence as eleições como candidato independente mentiroso. Põe no bolso os candidatos dos Democratas e Republicanos, quebrando uma hegemonia histórica da política presidencial norte-americana.

No meio desse último episódio, o chefe de gabinete (espécie de Onyx Lorenzoni) comanda uma reunião com os líderes do Congresso e faz uma previsão um tanto inquietante para o status quo. O eleitorado, disse ele, optou por uma terceira via e o tsunami vai alterar a forma como é feita a política. Os políticos precisavam ficar atentos não ao que os partidos querem, mas o que querem os eleitores.

A série exibida na Netflix e que originalmente nasceu na rede ABC, tem outros ingredientes relacionados à vida real e, em muitos casos, com a situação brasileira. A narrativa da plataforma de streaming pontua em torno da reação do público nas redes sociais. E o noticiário é envolvido em debates menores, como sobre a cunhada de Kirkmann – um transgênero.

No tradicional briefing da Casa Branca, o porta-voz perde a paciência com os jornalistas. Aos gritos pede para que eles façam perguntas sobre fatos ou notícias de verdade. Temas relevantes para a sociedade, como política para minorias, casamento infantil na cultura ocidental e oriental;,imigração; desvalorização no ensino escolar, fake news;,grupos de supremacistas brancos, segurança, aúde e a indústria farmacêutica.

Nesta questão das indústrias farmacêuticas, seria interessante que os políticos tupiniquins olhassem os debates da série e, quem sabe, pudessem propor algo que melhore a saúde pública no Brasil.

Survivor é na essência um sobrevivente. Puxando a ficção para a realidade, muito do que foi discutido na série está perfeitamente encaixada naquilo que estamos vivendo hoje no Brasil. Falar a verdade, exercer a verdade é um desafio ético que não podemos fugir.

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