Passarinho assinou o AI-5, mas manteve a ética

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Uma doença degenerativa que provoca a deformação do corpo levou à morte o ex-ministro, senador e governador do Pará, Jarbas Vasconcelos Passarinho.

Coronel do Exército que se destacou durante o regime militar pela forma cortês e diplomática com que tratava os jornalistas quando abordado sobre as questões delicadas (e eram muitas) geradas pelo regime militar.

Passarinho (que este repórter conheceu no Rio de Janeiro)  exalava saúde tanto quanto adorava Brasília, cidade que escolheu para morar quando deixou a vida pública, no início da década de 90.  

A “boa fonte” como era conhecido nos bastidores da capital federal, travou grandes embates no plenário da Constituinte, onde chegou como senador pelo Pará. E era  alvo constante da esquerda incorruptível, algo tão raro nos dias de hoje.

Quando a doença incurável o atacou refugiou-se em Brasília e pediu para aqui ficar até o fim da sua vida.

Enquanto pode acompanhou tudo pela leitura e guardava apenas uma mágoa : a de ter sido gravado quando, ao redor da mesa que decidia como espancar a democracia e endurecer o Regime, através do AI5: mandou às favas os escrúpulos.

Nunca foi repreendido publicamente pelos militares, não foi flagrado desviando dinheiro público,  manteve a ética no Senado  e nem precisou fazer delação premiada.

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