Tristeza num papo de supermercado

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Passava por um dessas prateleiras de supermercados e ouvi dois clientes conversando. O papo seguia desanimado. Enquanto via o melhor preço (a vida está uma carestia), os dois parados reclamavam.

Sem ser um bisbilhoteiro ouvi que estavam desanimados com os políticos, com os partidos, com os governos. Enfim, um desastre. Resumo do papo: não confiavam em mais ninguém que pudesse dar rumo ao país.

Não é para menos. Os eleitores foram às ruas. Nas redes sociais é um desabafo só. Mas o sistema só piorou nos últimos quatro/cinco anos. E entramos em novo processo eleitoral sem perspectivas. O eleitor triste de agosto será o mesmo de outubro, porque a política não mudou. Regrediu.

No final de semana, notícias de envolvimentos de personagens nacionais com delações premiadas da Odebrecht. José Serra um deles. Teria recebido R$ 23 milhões em esquemas supostamente propineiros. Os partidos que se diziam éticos chafurdam na lama.

Lula da Silva enrolado até os tubos. E Dilma Rousseff com a cabeça na guilhotina do impeachment vocifera sobre plebiscito e o escambau. Conversa fiada que já cansou. Deu!

Na seara das cidades, os prefeitos que tentam a reeleição justificam uma gestão fracassada. E os novos candidatos (que não são novos) prometem a mesmice. Nos grotões, as famílias continuam ditando as regras em votos de cabresto.

Enfim, como disseram os dois personagens do supermercado, não há nada animador.

A política, definitivamente, é um fracasso para o cidadão. Entretanto, é um grande negócio para os espertos.

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