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A hora e a vez de Eduardo Cunha

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O dia 12 de setembro de 2016 pode marcar um importante movimento no âmbito da crise política em curso e, ao mesmo tempo, sepultar uma fulminante carreira política. Está prevista para logo mais, no início da noite, a votação do processo de cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o ex-todo poderoso ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Não será uma batalha fácil. A seu favor, Cunha conta com o chamado “recesso branco parlamentar” por conta das eleições municipais e a necessidade de quorum elevado para a aprovação da perda do mandato – pelo menos 257 deputados, dos atuais 512, precisam dar o voto “sim” ao parecer do deputado Marcos Rogério (DEM-RO), favorável à cassação.

Outra possível manobra em curso diz respeito à aplicação de uma pena mais branda ao peemedebista – por exemplo, uma suspensão de seu mandato por alguns meses. Essa medida, porém, implicaria na apresentação de uma emenda ao parecer do relator Marcos Rogério, o que, na visão de técnicos legislativos, seria ilegal. Fica evidente, porém, que o caso pode cair nas mãos do Supremo Tribunal Federal.

Contra Cunha contam o abandono do Planalto e de importantes aliados e a pressão da opinião pública, que há meses pede a cassação de seu mandato. Esses são elementos que não podem, em hipótese alguma, ser descartados no contexto do que está em disputa.

O presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem afirmado que abrirá a sessão plenária com mais de 400 parlamentares presentes. O número é elevado para uma segunda-feira, mas será arriscado votar a matéria com quorum inferior a esse.

“A hora e a vez de Augusto Matraga” é um conto de Guimarães Rosa e integra o seminal livro “Sagarana”. Na história, a personagem central é um violento fazendeiro que, após uma emboscada, é dado como morto por seus inimigos. No entanto, ele é salvo e, a partir de então passa a oscilar entre a religiosidade e seus instintos primitivos. Caso Cunha não perca o mandato, como ele se comportará?

Caiu Dilma Rousseff, Lula enfrenta seus problemas com a Justiça e Michel Temer sente as agruras do poder. A bolsa de apostas, agora, está no julgamento final de Eduardo Cunha.

O Brasil aguarda a resposta. Se possível, hoje.

 

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