Texto de Gilmar Corrêa
Hoje li um texto primoroso de Juan Arias. Para quem não conhece, é um jornalista espanhol dos bons. Ele trabalhou apenas em dois jornais. No “Pueblo de Madri” e no “El País”. Neste último, está lá há 44 anos. Arias tem 80 anos e certamente vai escrever por muito, muito tempo.
Tendo feito as apresentações iniciais, o que mais me chamou a atenção na crônica não foi a sua declaração explicita de amor ao jornal, que fez história na Espanha e agora marca nosso tempo no Jornalismo mundial.
Nesses tempos em que a leitura (quase extinta) deve ser rápida, no movimento relâmpago das redes sociais e da influência nefasta da fake news, Juan Arias nos convoca para questões fundamentais. A liberdade de imprensa, a liberdade democrática e a liberdade de pensamento.
No seu artigo desta sexta-feira (02) para os leitores brasileiros, o tarimbado jornalista anuncia que o El País passará a cobrar pelos acessos ao conteúdo do seu portal. A decisão comercial já é uma realidade em grande parte dos grandes veículos de comunicação no mundo.
O jornal espanhol é um revolucionário em sua essência. A última revolução, feita há algum tempo, foi redirecionar a sua cobertura jornalística. Repaginou a sua Redação. Acabou com o papel e partiu para um projeto digital para contemplar grandes praças, além da Espanha. São elas: a América, o México e o Brasil.
Voltando ao nosso objetivo, Juan Arias fala de liberdade, da necessária liberdade custe o que custar. Eis uma parte do que ele escreveu:
“Desde aquele dia [após uma palestra de Dom Hélder Câmara na reunião do International Press Institute, em Berlim, em 1989], como se isso fosse possível, eu me apaixonei ainda mais por este jornal, que depois da triste e dura experiência franquista me revelou a grandeza dos valores da liberdade sem os quais o ser humano acaba reduzido à pior das escravidões, como é a do pensamento e dos sentimentos que, ou são livres, capazes de voar como pássaros, ou nos levam ao inferno da ignorância e da barbárie”.
No texto, o jornalista observa: “Experimentem arrancar o Brasil do mapa da América Latina e verão como fica deformado e mutilado”.
E completa: “A Espanha e a América Latina precisam do Brasil como ele precisa de um jornal que fale não apenas sobre ele, mas também revele as veias abertas do mundo. Hoje que a comunicação se tornou universal, nenhum país será econômica e intelectualmente próspero sem ter suas antenas conectadas com o mundo inteiro”.
É isso. A roda continua a girar, mas precisamos da Imprensa para nos informar corretamente e com liberdade, mas ela também precisa ser fiel aos fatos, sem se distanciar da análise e da opinião.
Bom final de semana.




















