Chama a atenção do mundo político, da imprensa e da opinião pública em geral a série de problemas de “comunicação” do governo Temer. A questão já incomoda pois, dia sim o outro também, o país assiste a declarações polêmicas de integrantes do primeiro escalão, seguidas de desmentidos muitas vezes constrangedores. Exemplos não faltam, como veremos abaixo.
Anistia ao caixa dois – um dos homens da extrema confiança do presidente Temer, o secretário de Governo Geddel Vieira Lima declarou ao jornal “O Globo” ser pessoalmente favorável ao projeto de lei que anistia políticos envolvidos com a prática de caixa dois no passado. A polêmica declaração bateu de frente com os interesses da sociedade e Temer, tão logo avisado, declarou-se “surpreso” e “contrário à discussão da matéria”.
Trata-se de questão delicada. Geddel é dos principais articuladores do governo junto ao Congresso e suas palavras têm peso. O episódio não passou em branco.
Reforma trabalhista – o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, gerou forte reação contrária e irritou o Palácio do planalto ao afirmar que, entre os pontos da reforma trabalhista e gestação, estaria a obrigatoriedade de o brasileiro ser obrigado a cumprir uma jornada de trabalho de até doze horas por dia. Diante da repercussão negativa, o ministro negou que os direitos dos trabalhadores seriam retirados.
Tarde demais. O estrago já estava feito. O próprio presidente Temer precisou agir como bombeiro e orientou seu inábil ministro a negar o que havia dito. Relativamente novo na política, Nogueira representa seu partido, o PTB, no primeiro escalão do governo. Mais um erro desses e sua permanência à frente da pasta certamente correrá riscos.
Saúde – o ministro da Saúde, Ricardo Barros, coleciona gafes desde que assumiu a pasta, em maio último. Ele afirmou, por exemplo, que não haveria como sustentar os direitos estabelecidos pela Constituição Federal e que seria necessária uma “repactuação” da Carta. Ele defendeu ainda que mais pessoas tenham planos privados de saúde e disse que homens trabalham mais que mulheres e, portanto, têm menos tempo para buscar os serviços públicos de assistência.
A exemplo de seu colega Ronaldo Nogueira, Ricardo Barros comanda a pasta em nome de seu partido, o PP. O ministro, no entanto, tem larga experiência política, o que torna ainda mais graves os seus excessos na fala. Caso a situação não se acerte, sua permanência na Saúde também correrá riscos.
Ministro da Justiça e Operação Lava Jato – em evento de campanha ocorrido no interior de São Paulo, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse que “muito em breve nova etapa da Operação Lava Jato” ocorreria. No dia seguinte, a Polícia Federal prendeu o ex-ministro Antonio Palocci.
As palavras do ministro geraram irritação e perplexidade. Sua posição no governo chegou a ser ameaçada, mas o presidente Temer decidiu mantê-lo no posto. O episódio, no entanto, deu munição aos que afirmam que a Lava Jato é partidarizada, com um claro viés anti-PT. Mais um estrago na imagem do governo.
Outros exemplos podem ser lembrados, mas paremos por aqui. O que fica claro é que, mais do que comunicação, o problema central do governo Temer é uma absoluta falta de sintonia entre importantes nomes do primeiro escalão e o Planalto. Somente buscando solucionar rapidamente essa realidade é que Temer poderá focar naquilo que realmente importa.
PARTICIPAÇÃO DO LEITOR
Participe desta discussão
Compartilhe sua opinião sobre este assunto. As participações passam por análise editorial antes de qualquer utilização no site.























