A decisão do PSDB de permanecer no governo Michel Temer (PMDB) fortalece o presidente em sua batalha para chegar ao fim do mandato, mas pode custar caro aos tucanos na eleição de 2018, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.
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O PSDB tem a terceira maior bancada na Câmara dos Deputados, com 46 dos 513 deputados, e a segunda maior do Senado, com 11 dos 81 senadores.
Uma ala de congressistas jovens do partido, apelidada de “cabeças pretas“, defende a defecção, avaliando que a permanência seria ruim para a imagem do PSDB e prejudicaria a sigla nas eleições de 2018.
Vários caciques tucanos – entre os quais o governador Geraldo Alckmin (SP) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – adotam tom mais cauteloso. Eles dizem que um desembarque poderia prejudicar o país, dificultando a aprovação das reformas encampadas por Temer e gerando mais turbulência num momento em que a economia ainda está bastante fragilizada.
Para Sérgio Praça, professor de ciência política da FGV-SP, a saída do PSDB seria péssima para Temer, pois trata-se de “um partido que dá alguma legitimidade ao governo“.
Para Esther Solano, professora de sociologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é do interesse do senador Aécio Neves (MG) e de seus aliados ter o apoio do PMDB para tentar esticar seu mandato e se proteger da Lava Jato.
“Há uma tentativa de um grande acordo PSDB-PMDB numa espécie de abraço de afogados, baseada na ideia de que ‘se cairmos, que caiamos juntos'”, afirma Solano.




















