Após um período nas cordas, o governo Temer começa a retomar o controle do embate político. Os últimos dias foram marcados por significativos êxitos para o Planalto.
A reação teve início com a fala presidencial de terça-feira. A simbologia foi marcada pela colocação de Temer sobre a presença de muitos parlamentares no evento. “Fosse ainda presidente da Câmara, com esse quorum eu abriria uma sessão deliberativa“, disse Temer. Tinha razão.
Esse é um claro indicativo de que a base aliada está, no momento, unida. Claro que a todos interessa manter o grupo no poder – a eventual queda de Temer abalaria fortemente o atual condomínio.
No âmbito do Legislativo, a aprovação da proposta de reforma trabalhista na Comissão de Constituição e Justiça do Senado foi outra demonstração de força. Apesar da profusão de votos em separado, o relatório do senador Romero Jucá (PMDB/RR) recebeu expressivos dezesseis votos favoráveis, um a mais do que o esperado pelo Planalto. Agora é sacramentar o processo no plenário da Casa, ainda em julho.
Também a indicação de Raquel Dodge para a vaga de Rodrigo Janot na PGR pode ser contabilizada como uma vitória. Adversária do atual titular do posto, ela certamente será mais conservadora em suas ações contra Temer.
Nem mesmo o afastamento de Renan Calheiros da liderança da bancada do PMDB do Senado parece abalar o governo. Isolado e com problemas legais e em seu estado, Alagoas, o agora ex-líder tem reduzido poderio bélico para ameaçar o Planalto.
Claro que há riscos no caminho. Outras denúncias de Janot serão apresentadas e a “dinâmica do fato novo” segue no ar. Mesmo assim, há tempos o presidente Temer não tinha uma situação tão favorável. As próximas semanas dirão se o movimento é consistente ou apenas um suspiro de moribundo.
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