As várias frentes da batalha da Previdência

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É público e notório que o governo Temer tem como objetivo central a aprovação da reforma da Previdência. Ao longo de janeiro, cresce a pressão sobre diversos setores da sociedade, e também sobre os parlamentares, para que o Planalto obtenha êxito na empreitada.

Isso explica a recente aproximação entre o presidente e grupos evangélicos. Temer tem-se reunido com as cúpulas de igrejas como a Universal e a Assembleia de Deus, na tentativa de obter apoio político para a reforma. A bancada evangélica na Câmara é fundamental para os interesses do governo. O eventual apoio, porém, terá contrapartidas – a agenda conservadora dos evangélicos deverá entrar em pauta.

Temer também se aproximou de grupos de televisão. Silvio Santos, por exemplo, já o recebeu para falar sobre a proposta. A ordem é convencer a população dos benefícios das mudanças nas regras previdenciárias.

A chamada grande imprensa, os “jornalões”, também tem se manifestado a favor da reforma. Em editoriais e matérias especiais, são citados números que apontam para um colapso do sistema caso as mudanças não sejam aprovadas logo. O mercado, que opera com base na expectativa de vitória do governo, aplaude efusivamente.

Peça fundamental no processo de negociação entre o Planalto e a Câmara é o ministro Carlos Marun. Ele tem conversado diuturnamente com deputados de todos os estados, na tentativa de convencê-los a apoiar o governo. Em ano eleitoral, a tarefa não é fácil, mas Marun, com seu estilo incisivo, segue com as conversas.

Do lado oposto, oposição, sindicatos, servidores públicos e setores organizados da sociedade civil pressionam contra a reforma da Previdência. Apesar de serem minoria no Congresso, esses grupos fazem um barulho estridente e impõem muitos obstáculos ao governo.

O 19 de fevereiro próximo será a data fatídica para o destino da proposta. Até lá, o governo precisa arregimentar os 308 votos necessários para a aprovação da reforma. Caso não alcance um número mínimo que dê segurança, um adiamento da votação será inevitável. Uma derrota governista seria o pior dos mundos.

Durante a Revolução de 1930, aguardava-se uma grande batalha entre as forças paulistas e os revolucionários, comandados por Getúlio Vargas, no município de Itararé (SP). No entanto, nada ocorreu, e a população local acolheu Vargas, que prosseguiu rumo ao Rio de Janeiro, então capital federal. O evento ficou conhecido como “a batalha que não ocorreu“. Ao que tudo indica, a reforma da Previdência será uma nova Batalha de Itararé.

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